Carnaval de 2025: dentro e fora dos desfiles, artesãos movimentam as artes no Rio de Janeiro
O Carnaval de 2025 foi um marco para o Rio de Janeiro, com movimentação econômica estimada em 5 bilhões de reais e a presença de cerca de 8 milhões de foliões, conforme a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
SputnikDeste montante, 500 milhões de reais foram acumulados em impostos. No entanto, a festa não se resume aos grandes desfiles da Sapucaí ou aos blocos de rua. Ela também engloba uma economia criativa, com destaque para o trabalho de pequenos artesãos, como os que atendem os foliões nas lojas da Saara e nas ruas da cidade.
O
Carnaval, com sua magnitude, é o reflexo de um esforço conjunto de muitas pessoas, sendo que artistas e trabalhadores de diversas áreas, como os responsáveis pelas alegorias e esculturas, são parte essencial desse processo.
Acompanhando esse contexto, o podcast Jabuticaba Sem Caroço, da Sputnik Brasil, conversou com Juscelino Ribeiro, chefe da equipe responsável pela pintura de artes e esculturas da escola de samba carioca Salgueiro, incluindo o uso de robôs nos desfiles.
28 de fevereiro 2025, 14:10
Segundo explicado ao programa, Ribeiro tem uma longa trajetória no mundo do Carnaval, com destaque para o Festival de Parintins, no Amazonas, que ele considera uma vitrine para novos movimentos artísticos.
"Tem um festival lá que acontece no Amazonas, o bois-bumbás de Parintins, que serve de certa forma de vitrine para quem está assistindo", explica. Ele destacou ainda que, neste ano, a diretoria do Salgueiro teve a oportunidade de visitar o evento, o que resultou no convite para ele integrar a equipe da escola de samba.
"A partir deles assistirem isso aí, lógico, fui convidado, foi mostrado o tema", diz Juscelino, enfatizando a importância desse intercâmbio cultural e artístico para seu trabalho no Rio de Janeiro.
A diferença entre trabalhar em Parintins e no Rio, no entanto, não é pequena. "Primeiramente, a matéria-prima", explica Ribeiro. Em Parintins, a logística é mais complexa, já que o local está situado em uma ilha e o transporte de materiais ocorre via fluvial ou aérea.
Em contrapartida, no Rio de Janeiro, a proximidade com fornecedores torna o processo mais ágil e eficiente: "
Aqui no Rio de Janeiro, onde tudo acontece, onde é o maior espetáculo da Terra, e aqui tem todo tipo de material,
até fora, né, que você está querendo alguma coisa, eles dão um jeito", afirma.
O trabalho de Juscelino no Salgueiro envolve a criação de esculturas com movimento robótico, uma inovação que teve como objetivo surpreender o público.
"A gente começa desde o desenho, com uma certa escala, [para] ver se a escultura não vai ultrapassar o tamanho". O objetivo é garantir que a movimentação da escultura seja impactante, mas segura. "Quando é muito grande, o movimento ali é muito lento, e acaba não dando o efeito desejado", explica, destacando a importância de um planejamento meticuloso.
O papel da tecnologia
A tecnologia tem sido um elemento chave na evolução do Carnaval, e Juscelino destaca o uso de engrenagens e motores para dar mais fluidez ao trabalho das esculturas.
"Antigamente, era tudo manual, mas agora usamos outros tipos de engrenagens e motores para a pessoa não se cansar tanto ali, puxando aquelas manivelas", explica.
No entanto, o processo também é repleto de desafios. Quando questionado sobre o maior obstáculo, Juscelino ressalta a importância de não sair do cronograma definido pelo carnavalesco.
15 de fevereiro 2025, 19:37
"Temos que trabalhar com as
medidas certinhas, porque se sair algo errado, vai danificar um monte de coisas mais na frente", comenta, mencionando ainda a complexidade do transporte das esculturas, que precisam ser desmontadas
para garantir que não ultrapassem a altura permitida para o transporte.
As mulheres botam quente
Célia Domingues, diretora de empreendedorismo da Federação Nacional das Escolas de Samba e presidente da Associação de Mulheres Empreendedoras do Brasil (Amebrais), falou sobre o trabalho realizado pela instituição e as oportunidades que ela oferece para as mulheres no universo do Carnaval.
A Amebrais, segundo ela, realiza um trabalho de qualificação de profissionais para atender escolas de samba e blocos.
"Já há quase 28 anos agora, [...] a Amebrais se entendeu como uma possibilidade de estar fazendo uma capacitação voltada para o Carnaval, para esse mercado dentro do Carnaval de entretenimento, de festa, mas muito cultural", explicou a diretora.
Ela ressaltou que a associação percebeu uma grande lacuna:
"As mulheres estavam muito fora do mercado, deste mercado, e muitas mulheres envolvidas com a cultura do Carnaval e precisando trabalhar. Então, unimos o útil ao agradável, tá? Proporcionando alguns e vários projetos, oficinas para que elas pudessem estar preparadas para poder entrar nesse mercado novo que é liderado muito pelos homens, mas tem muitas oportunidades para que a gente possa estar ali, lado a lado, fazendo o melhor pela nossa cultura e pelo espetáculo."
Mas enfrentam dificuldades
Sobre o período pós-Carnaval, Célia pontuou as dificuldades enfrentadas por quem trabalha exclusivamente com Carnaval, mas também destacou as alternativas.
"Para alguns, infelizmente, ainda é só Carnaval, né? Que eles conseguem fazer seus negócios. Mas para muitos, depois do Carnaval, tem uma continuidade. E essa continuidade permite que eles possam estar se sustentando durante o ano todo", pontuou.
"Claro que tem que correr muito, claro que tem que estar sempre muito envolvido com a rotina das escolas, a rotina dos eventos na cidade, pra estar incluído. Mas também os que têm ateliês que são mais organizados, eles têm uma produção pós-Carnaval que atende também outros mercados. Não só o Carnaval, mas teatro, festas, TV, produção de peças, de eventos que precisam dessa mão de obra", arrematou.
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