Os Estados Unidos teriam removido uma restrição-chave que limitava o uso, pela Ucrânia, de certos mísseis de longo alcance fornecidos por aliados ocidentais. Isto permitiria a Kiev intensificar ataques contra alvos em território russo, informou nesta quarta-feira (22) o jornal Wall Street Journal, citando fontes na administração norte-americana.
Segundo a publicação, militares ucranianos já teriam se aproveitado das novas capacidades na última terça (21), quando dispararam um míssil de cruzeiro britânico Storm Shadow em um ataque à cidade russa de Bryansk.
De acordo com o jornal, a decisão dos EUA — que não foi anunciada publicamente — ocorreu após a transferência de autoridade para coordenar esses ataques do secretário da Guerra, Pete Hegseth, para a liderança do Comando Europeu das Forças Armadas dos EUA, general Alexis Grinkevich, que também chefia as forças conjuntas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Europa.
A informação, contudo, foi negada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em suas redes sociais.
"O artigo do Wall Street Journal sobre os EUA aprovando permissão para a Ucrânia usar mísseis de longo alcance dentro da Rússia é NOTÍCIA FALSA. Os EUA não têm nada a ver com esses mísseis, de onde quer que venham, ou com o que a Ucrânia faz com eles."
Já o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que os Estados Unidos também vão anunciar novas sanções contra Moscou até quinta-feira pela manhã. "Vamos anunciar, ou após o fechamento dos mercados nesta tarde, ou logo pela manhã de amanhã, um aumento significativo nas sanções contra a Rússia".
Logo após a fala de Bessent, o Departamento de Tesouro divulgou que vai impor sanções às principais empresas petrolíferas russas, Lukoil e Rosneft, bem como às suas subsidiárias, devido à suposta falta de comprometimento do país em encerrar o conflito na Ucrânia.
"Hoje, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro dos EUA está impondo novas sanções em decorrência da falta de comprometimento sério da Rússia com um processo de paz para encerrar a guerra na Ucrânia."
O comunicado também traz uma fala de Bessent, na qual afirma que o "Tesouro está preparado para tomar ações futuras se necessárias para apoiar os esforços do presidente Trump para terminar outra guerra".
Uma nova rodada de sanções estadunidenses contra a Rússia estavam sendo debatidas no Senado norte-americano há dias, com o apoio de ambos os partidos. Entretanto, o líder do governo na casa, John Thune, indicou que a legislação só seria posta para voto após o encontro de Trump com o presidente russo, Vladimir Putin. A medida parece ter sido adiantada pela Casa Branca.
Na mesma linha, a União Europeia informou que vai impor um novo pacote de sanções contra a Rússia. "Temos o prazer de anunciar que acabamos de ser informados pelo último Estado-membro de que ele está agora em condições de retirar sua reserva em relação ao 19º pacote de sanções", informou a presidência dinamarquesa do Conselho da UE em comunicado.
"Consequentemente, foi iniciado o procedimento escrito para aprovação pelo Conselho. Se não houver objeções, o pacote será adotado amanhã [quinta]"
Dentre as medidas está a antecipação da proibição da importação de gás natural liquefeito da Rússia para o início de 2027, a inclusão de navios petroleiros russos em listas de restrições, sanções contra o setor bancário e sanções pessoais contra diplomatas russos. O pacote será formalmente adotado amanhã durante uma reunião da União Europeia em Bruxelas.
De acordo com o banco de dados Castellum.AI, atualizado pela última vez em 15 de agosto de 2025, cerca de 23.960 sanções individuais e setoriais foram aplicadas contra a Rússia desde o início de sua operação militar especial na Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022.