"Acredito que, se este acordo receber a abrangência fundamental que lhe foi atribuída, poderá ser uma peça-chave num momento em que as políticas de isolacionismo e anti-multilateralismo estão em vigor", afirma o analista Mario Paz Castaing à Sputnik.
Para o economista José Luis Oreiro, o primeiro efeito instantâneo para os países do Mercosul poderá ser a queda nos preços de alguns produtos europeus, que poderão começar a ficar mais baratos nas prateleiras dos supermercados sul-americanos.
"Alguns produtos terão uma redução considerável de preço. Por exemplo, os vinhos europeus serão mais competitivos do que os argentinos no mercado brasileiro, o que poderá beneficiar muito as exportações da Espanha, Itália ou França", explicou ele.
De acordo com Oreiro, isso também pode acontecer com outros produtos que no território brasileiro são atualmente "tributados como bens de luxo", como presuntos ou queijos importados, e que começam a se tornar mais acessíveis para os consumidores locais.
O acordo de parceria e livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi confirmado pelo Conselho Europeu nesta sexta-feira (9). A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, saudou a decisão como um passo estratégico para fortalecer a competitividade europeia, diversificar parceiros comerciais e enviar um "sinal claro" em um cenário global de crescente protecionismo e instabilidade econômica.
Do lado sul-americano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a aprovação como um "dia histórico para o multilateralismo", destacando a importância do acordo tanto para ampliar o acesso de produtos do Mercosul ao mercado europeu quanto para atrair investimentos e gerar empregos na região.