Segundo a publicação, o fluxo de comércio entre o Brasil e a China cresceu 8,2% em 2025 na comparação com 2024, totalizando US$ 171 bilhões (aproximadamente R$ 919,5 bilhões). Já o comércio com os EUA atingiu US$ 83 bilhões (perto de R$ 446,5 bilhões), menos da metade do volume negociado com os chineses.
Mais do que isso, o comércio bilateral com a China em 2025 foi o segundo maior de toda a história das relações econômicas entre os dois países, ficando atrás apenas do recorde absoluto atingido em 2023.
De acordo com dados do Conselho Empresarial Brasil-China apresentados pelo jornal, o aumento das vendas para os chineses foi puxado principalmente pelos embarques de soja, que responderam por pouco mais de um terço do valor total das exportações para o país asiático, com alta de 10% frente a 2024.
Destaca-se que esse incremento no comércio com o gigante asiático foi influenciado pelas guerras tarifárias deflagradas pela administração de Donald Trump. Em particular, a imposição de pesadas tarifas comerciais pela Casa Branca forçou o governo brasileiro a diversificar seus mercados e reduzir as exportações para os EUA, ao mesmo tempo que ampliava a rota comercial para a China.
A China, por sua vez, diante da política dura de Washington, chegou a interromper por algum tempo as importações de soja dos Estados Unidos, retornando ao mercado brasileiro.
"No ano passado, os EUA impuseram um tarifaço a diversos países, o que levou a uma mudança nos fluxos comerciais. O Brasil exportou menos aos americanos, mas buscou diversificar mercados para mitigar os impactos", lê-se na reportagem.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), cerca de 22% das exportações do Brasil para os EUA ainda continuam sujeitas às tarifas estabelecidas em julho do ano passado.
Conforme o texto, as sobretaxas impostas por Trump ampliaram o déficit brasileiro na relação bilateral, já que poucos produtos conseguiram compensar, em outros mercados, a perda de competitividade no mercado americano.
Além das exportações, o volume que o Brasil importa da China também cresceu: as importações chinesas chegaram ao recorde de US$ 70,9 bilhões (cerca de R$ 381,3 bilhões) em 2025, um aumento de 11,5% em relação a 2024.
O material ressalta que "o eixo do comércio exterior brasileiro hoje tende a se voltar cada vez mais para a Ásia", já que quase um terço do intercâmbio comercial brasileiro passa pela China.
De acordo com o jornal, a parcela chinesa no comércio exterior do Brasil já corresponde a 27,7% do total, que somou US$ 629 bilhões (aproximadamente R$ 3.381 bilhões) em 2025. Assim, o desempenho chinês superou o de parceiros tradicionais, como os Estados Unidos, cujas compras recuaram 6,6%.