Panorama internacional

Europa colhe o que plantou ao inflar 'ameaça russa' sobre a Groenlândia, diz senador

Os europeus estão agora enfrentando as consequências de relatórios produzidos por suas próprias agências de inteligência sobre a suposta "ameaça russa" no contexto da Groenlândia, afirmou o vice-presidente do Conselho da Federação da Rússia, Konstantin Kosachev.
Sputnik
"Uma história interessante. [O presidente dos EUA, Donald] Trump, ao justificar suas reivindicações geopolíticas, cita uma reportagem da mídia ocidental do ano passado segundo a qual a inteligência dinamarquesa teria alertado sobre objetivos militares da Rússia e da China na Groenlândia e no Ártico", declarou nas redes sociais.
Segundo Kosachev, antes de Trump, as agências de inteligência ocidentais e os serviços de informação sob sua influência competiam entre si para exagerar a chamada "ameaça russa" — e, "por falta de termo melhor", também a "ameaça chinesa". "Eles não imaginavam que um dia teriam de responder por isso”, acrescentou.
"Mas, como se diz, a internet não esquece nada", escreveu o parlamentar.
"A surpresa para os europeus em geral, e para os dinamarqueses em particular, é que Trump, ao que parece, lembra muito bem dessas tolices e heresias. E agora está usando isso contra os próprios autores, como no conhecido mantra policial durante uma prisão: 'Tudo o que você disser pode ser usado contra você'. E pode mesmo. Os europeus ainda vão comprovar isso por si próprios", afirmou.
Kosachev concluiu dizendo que não deveria surpreender ninguém o fato de tais acusações também estarem sendo registradas na Rússia. "Vamos tomar nota e exigir explicações", finalizou.
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'Disputa feroz por controle de recursos naturais'

Já o senador russo Aleksei Pushkov declarou mais cedo que Trump vem sustentando a ideia de que o mundo está entrando em uma era de disputa acirrada pelo controle de recursos naturais, ao comentar as negociações entre Dinamarca e Estados Unidos sobre a Groenlândia.
"Trump, de forma direta, rude e explícita, transmite uma única ideia: o mundo está entrando em uma era de luta feroz pelo controle dos recursos naturais — do petróleo ao lítio. Por isso, os Estados Unidos devem se apropriar do que acreditam poder controlar: do petróleo venezuelano às jazidas de terras raras da Groenlândia, embora ninguém saiba ao certo quanto existe ali", disse.
Segundo o senador, enquanto os EUA buscam esclarecer essas questões, usarão a Groenlândia como plataforma para avançar amplamente sobre o Ártico e ampliar de forma significativa sua presença na região.
Para Pushkov, o tema não é segurança, razão pela qual negociações sobre "reforço da segurança" da Groenlândia, em um cenário sem ameaça real, não poderiam ter sucesso.
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Trump afirmou que, caso os Estados Unidos não obtenham a Groenlândia, o território acabaria sob controle da Rússia ou da China.
Anteriormente, a imprensa informou que representantes do Reino Unido, França e Alemanha discutiram a possibilidade de enviar forças militares à Groenlândia. A iniciativa serviria para demonstrar disposição europeia de defender a ilha contra uma suposta presença russa ou chinesa e, ao mesmo tempo, convencer Washington a desistir da anexação do território autônomo dinamarquês.
A Groenlândia foi colônia da Dinamarca até 1953. A ilha segue como parte do reino dinamarquês, mas desde 2009 possui status de autonomia, com direito ao autogoverno e à definição independente de sua política interna.
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