A China avança no desenvolvimento de usinas solares espaciais, mas um novo estudo do Instituto de Engenharia Ambiental de Satélites de Pequim alerta que lasers potentes usados para transmitir energia à Terra podem representar riscos significativos para satélites em órbita baixa. O problema surge quando feixes desviados atingem espaçonaves próximas, podendo superaquecer painéis solares ou provocar descargas elétricas inesperadas.
De acordo com o South China Morning Post, segundo os pesquisadores, essas descargas podem gerar correntes anormais capazes de danificar componentes eletrônicos sensíveis ou até forçar desligamentos de emergência.
O risco aumenta quando os lasers operam com maior energia ou utilizam comprimentos de onda mais curtos. O estudo, publicado na revista periódica High Power Laser and Particle Beams, destaca a necessidade de parâmetros mais seguros para sistemas de transmissão a laser.
A tecnologia de energia solar espacial, proposta originalmente por Peter Glaser na década de 1960, voltou a ganhar força graças a avanços em foguetes reutilizáveis, materiais ultraleves e controle preciso de feixes. Diferentemente da energia solar terrestre, ela oferece fornecimento contínuo, sem interferência de clima ou escuridão. Países como EUA, Japão, China e Estados da Europa disputam a liderança nesse campo.
Os Estados Unidos atualmente estão à frente, impulsionados por um protótipo do Caltech que demonstrou transmissão de energia em órbita em 2023. A China, porém, tem planos ambiciosos: pretende lançar um sistema de demonstração em escala de megawatt até 2030 e avançar para aplicações comerciais até meados do século. Esse cenário ocorre enquanto a órbita baixa da Terra se torna cada vez mais congestionada por milhares de satélites, como os da constelação Starlink.
Para investigar os riscos, a equipe chinesa recriou em laboratório condições semelhantes às do ambiente orbital. Um segmento de painel solar foi colocado em uma câmara de vácuo com plasma de baixa densidade, simulando o gás eletricamente carregado que envolve satélites. Como essas superfícies acumulam carga negativa de forma desigual, tornam-se suscetíveis a descargas elétricas repentinas.
Ao disparar pulsos de laser ultracurtos contra o painel, os pesquisadores registraram flashes e picos de corrente, confirmando a ocorrência de descargas induzidas. Eles concluíram que lasers mais energéticos e com comprimentos de onda menores aumentam significativamente a probabilidade desses eventos. O estudo reforça a necessidade de definir parâmetros de operação mais seguros e desenvolver blindagens mais robustas para satélites que futuramente partilharão o espaço com usinas solares orbitais.