A reunião, realizada na casa de Pacheco em Brasília, foi descrita como cordial, com ambos reforçando que mantêm boa relação e não têm divergências pessoais.
A nomeação de Messias, anunciada por Lula em novembro, desencadeou uma crise com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), que preferia ver Pacheco indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Durante a conversa, Pacheco fez uma avaliação geral do cenário e disse desejar que a situação se resolva, embora tenha evitado compromissos ou sinais de apoio explícito.
O ex-presidente do Senado afirmou que o desfecho da indicação dependerá do alinhamento entre Lula e Alcolumbre, já que a aprovação ao STF exige maioria dos votos dos senadores em votação secreta. O presidente, por sua vez, mobilizou auxiliares no fim do ano para buscar apoio parlamentar ao nome de Messias.
De acordo com apuração da Folha de S.Paulo, Messias relatou a Pacheco parte de sua trajetória pessoal e disse compreender que a resistência ao seu nome no Senado é mais política do que pessoal. Alcolumbre, entretanto, ficou contrariado por não ter sido avisado previamente da escolha e viu a relação azedar após o governo reter documentos necessários para a sabatina, o que adiou o processo.
Pacheco também comentou que não pretende disputar o governo de Minas Gerais, como desejava Lula, e reforçou que sua não indicação ao STF é um assunto encerrado. Pessoas próximas afirmam que ele não quer carregar a responsabilidade por uma eventual rejeição de Messias no Senado.
A visita fez parte da articulação de Messias para conquistar votos, esforço que perdeu ritmo durante o recesso parlamentar e as férias do indicado. Ainda assim, ele manteve encontros, como o realizado com Otto Alencar (PSD), presidente da CCJ, responsável pela sabatina dos indicados ao Supremo.
Aliados do ministro avaliam que ele avançou nas conversas com senadores no fim do ano e que o processo de reaproximação entre Lula e Alcolumbre pode facilitar sua aprovação quando o Senado retomar os trabalhos.