Na avaliação do dirigente, o acordo entre a União Europeia e o principal bloco da América Latina pode representar o risco de uma concorrência desleal, que as empresas da indústria de transformação do Uruguai não conseguiriam suportar.
"O Uruguai terá que cumprir uma série de tarefas internas para garantir resultados conjuntos favoráveis ao acordo. Quando o acordo entrar em vigor, haverá perdedores, mas devemos criar condições para que a maioria se beneficie desse tipo de entendimento", afirmou Murara.
Segundo o especialista, entre as medidas que o governo uruguaio terá que adotar estão: a proteção de certas indústrias, o estímulo à inovação para aumentar a competitividade e a redução dos custos internos, a fim de evitar o fechamento de algumas empresas do setor.
Murara avalia que, atualmente, muitos produtos, especialmente aqueles de alto valor agregado, permanecem "fora do radar das autoridades", o que torna cada vez mais difícil competir com os preços atuais.
Ao mesmo tempo, o especialista ressaltou que o acordo é necessário para o Uruguai, já que o país não possui um mercado interno forte e precisa se desenvolver por meio da abertura de novos destinos com preferências tarifárias para seus produtos agrícolas, que são o principal motor da economia.
Amanhã (17), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sem aguardar a aprovação processual obrigatória do Parlamento Europeu, vai assinar no Paraguai o acordo comercial com o Mercosul. O texto do acordo prevê sua entrada em vigor temporária até a aprovação final do Parlamento Europeu.