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Defesa só se tornará prioridade quando sair do Orçamento, diz Mucio

Na visão do ministro, os altos valores para a compra de aviões e submarinos, por exemplo, se tornam alvos de questionamentos em um país no qual pessoas ainda passam fome.
Sputnik
O ministro da Defesa, José Mucio, disse nesta sexta-feira (16) em entrevista publicada pelo O Globo, que defende a retirada do orçamento das Forças Armadas do Orçamento da União. Para ele, os investimentos em defesa só se tornarão prioridade quando isso acontecer.
Como exemplo, o ministro destacou que um avião custa US$ 100 milhões (R$ 536 milhões), enquanto um submarino chega a valer até oito vezes mais.
"O que eu defendo muito é que defesa não faça parte do Orçamento. Porque se nós formos comparar prioridade, nós temos outras prioridades para investir, fome, educação e outras coisas."
Uma das saídas para isto, defende o ministro, seria a previsibilidade orçamentária. Repetidamente Mucio defendeu publicamente a tramitação e aprovação da PEC 55/2023, que fixa um piso de 2% do produto interno bruto (PIB) para as Forças Armadas.
O ministro destacou também que os R$ 30 bilhões que a Defesa receberá ao longo dos próximos seis anos fora do Orçamento serão investidos em "sistemas estratégicos" e não com gastos com pessoal, que hoje tomam quase 80% do orçamento da pasta.
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Durante a entrevista, o chefe da pasta admitiu que o Brasil não tem como gastar em Defesa o mesmo que China e Estados Unidos, que investem centenas de bilhões anualmente e, embora não tenha como fazer frente a estas forças armadas, nunca se sabe quem pode ser o inimigo.
"A gente precisa [de investimento] para defender as nossas fronteiras, defender o que é nosso, a gente não pode se entregar. Primeiro, eu não sei quem vai me invadir, qual é o interesse que tem aqui? Evidentemente que a política do [presidente dos EUA, Donald] Trump é uma política diferente das outras que nós assistimos. Mas não é por isso que nós vamos cruzar o braço."
Em sua opinião, o recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela foi uma mudança de paradigma dentro das relações internacionais, e serve de alerta para o Brasil investir mais em suas Forças Armadas para se manter soberano.

"Nós achávamos que se nós estivéssemos dentro dos nossos direitos, estávamos protegidos. Os Estados Unidos, com o que fez na Venezuela, mostrou que 'você está nos seus direitos, se eu quiser, eu entro, eu tenho mais força que você,'"

Mucio cita como recursos a serem protegidos no Brasil o petróleo, o gás, os minerais (incluindo terras raras) e a água doce, itens que estão no centro de disputas ao redor do mundo. O ministro pontua também a questão dos quase 17 mil km de fronteiras secas e 8.500 km de fronteiras marítimas no território continental brasileiro.
"Temos 16.700, quase 17 mil km de fronteira seca aqui com os nossos vizinhos, 8.500 km de fronteira marítima. Lembra que o americano, por conta de 4.600 km de fronteira com o México, só falta enlouquecer. Nós temos 17 mil km."
Para Mucio, a relação da sociedade civil com os militares após a ditadura é um dos motivos que explicam que a falta de investimentos em defesa não seja sequer alvo de discussões. "A relação do mundo civil, dos políticos, com os militares, nunca foi uma relação fácil de conversar, de sentar na mesa, a não ser que fosse por obrigação. Então, o tema de defesa saiu dos projetos de governo."

"É como se você contratasse para sua casa um vigia e como não confiasse no vigia, você não permitisse que ele trabalhasse armado. Você ficava desguarnecido, tinha despesas de vigia e o vigia ainda ficava magoado com você porque você não tinha confiança nele. Nós estamos desguarnecidos."

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