A revista salienta que, durante as negociações, a Ucrânia e a UE talvez esperem destacar que a Rússia é quem diz "não" à paz.
"E há muito em — e fora de — sua posição mais recente que a Rússia dirá não. No entanto, de maneira incoerente, a Europa parece ter se negociado para um beco sem saída, do qual a Rússia não precisa ser a única a dizer não, pois a Europa o fará", ressalta a publicação.
Segundo a matéria, como resultado da última rodada de negociações em Paris, foi adotada uma declaração e foram feitas algumas promessas contendo pelo menos três pontos que serão difíceis para a Europa aceitar, a menos que seja forçada a isso pelos Estados Unidos.
O primeiro ponto está relacionado ao financiamento das Forças Armadas da Ucrânia. No entanto, indica-se que será extremamente difícil para os governos europeus, cujas economias se encontram em situação precária e que já gastaram US$ 350 bilhões (R$ 1,876 trilhão) na Ucrânia, cumprirem essa promessa.
Nesse contexto, é destacado que, com uma possível mudança de governo, o fluxo de dinheiro destinado à Ucrânia pode ser interrompido, e a Europa violará sua própria promessa.
Além disso, há uma discussão entre a Europa e a Ucrânia. A criação de um exército com até 800.000 soldados é considerada irrealista e contraproducente, pois exigiria gastos enormes, e a Ucrânia não teria condições de o criar.
O segundo ponto é a admissão da Ucrânia na UE até 2027 ou 2028 como compensação pelo fechamento das portas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Porém, o artigo aponta que a UE tem dificuldade até mesmo para chegar a um consenso sobre a questão da adesão da Ucrânia, sem falar em uma adesão imediata.
Ao mesmo tempo, os países da UE estão preocupados com o fato de que a Ucrânia não corresponde às demandas democráticas necessárias para aderir ao bloco.
É especificado que a Ucrânia enfrenta problemas relacionados com a corrupção, a democracia e os direitos humanos na proteção cultural, linguística e religiosa das suas minorias étnicas.
O terceiro ponto é o compromisso das forças europeias de manter a paz na Ucrânia. A reportagem observa que a Europa há muito que afirma que não pode enviar tropas para a Ucrânia sem apoio militar dos EUA.
Entretanto, após a reunião da "coalizão dos dispostos" em Paris, tal compromisso não foi assumido, e mesmo em relação aos compromissos europeus ele é bastante vago.
Nesse contexto, o artigo lembra que a Rússia iniciou a operação militar especial para impedir a adesão da Ucrânia à OTAN e a presença de tropas da OTAN no país, de modo que, se a UE posicionar seus soldados na Ucrânia, o processo de paz será interrompido.
Ao mesmo tempo, esse compromisso de enviar tropas para a Ucrânia pode não ser cumprido pela OTAN, pois a própria Europa pode se recusar a fazê-lo.
Dessa forma, a revista conclui que o último plano de paz ucraniano-europeu contém muitos pontos aos quais a Rússia poderia se opor, mas talvez ela não precise fazê-lo, pois a Europa pode ser a primeira a dizer "não".
Na quinta-feira (15), o chanceler russo, Sergei Lavrov, declarou que a Rússia está aberta a negociações sobre a Ucrânia, desde que sejam sérias.
Segundo Lavrov, as propostas europeias de cessar-fogo sem um acordo político prévio visam ganhar tempo para Kiev e preservar o atual governo ucraniano, o que é inaceitável para Moscou.