O jornal aponta que o presidente estadunidense, Donald Trump, pode ganhar a ilha e perder os aliados no continente europeu.
Ao mesmo tempo, é observado que a tentativa dos Estados Unidos de estabelecer controle sobre a Groenlândia causou um conflito agudo dentro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
"As ameaças norte-americanas à Groenlândia são […] graves porque os Estados Unidos continuam sendo a espinha dorsal política e militar da OTAN", ressalta o material.
Além disso, o artigo destaca que, para responder aos EUA em caso de conquista da Groenlândia, os europeus podem usar vários meios de pressão.
Segundo a publicação, a União Europeia (UE) pode impor sanções e tarifas, anular o acordo comercial de agosto de 2025 e atingir as grandes empresas de tecnologia dos EUA.
A matéria observa que entre os meios de pressão estão as bases militares estadunidenses na Europa. Em particular, sem a base de Ramstein, na Alemanha, e outras instalações, a projeção de força na África e no Oriente Médio se tornaria impossível.
O The Economist cita, como exemplo, a captura do petroleiro venezuelano em 7 de janeiro, que dependia de bases britânicas.
Outro ponto fraco dos Estados Unidos é a logística ártica, pois o controle das ameaças no Ártico exige cooperação com a Groenlândia, a Islândia, o Reino Unido e a Noruega.
Ao mesmo tempo, a publicação salienta que uma abordagem econômica mais agressiva da UE deve ser implementada simultaneamente com um aumento emergencial dos gastos com defesa.
Por isso, é enfatizado que uma nova guerra comercial exercerá enorme pressão sobre os orçamentos dos países europeus. Dessa forma, o jornal conclui que a captura da Groenlândia minará a confiança no artigo 5º da OTAN sobre defesa coletiva.
A Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca. No entanto, Trump afirmou repetidamente que a ilha deveria passar a fazer parte dos EUA, alegando sua importância estratégica para a segurança nacional.
O líder norte-americano se recusou a prometer que não usaria força militar para estabelecer controle sobre a Groenlândia, bem como a responder claramente à pergunta sobre o que é mais importante para ele: a ilha ou a preservação da OTAN.
As autoridades da Dinamarca e da Groenlândia alertaram os Estados Unidos contra a conquista da ilha, afirmando esperar que sua integridade territorial seja respeitada. Em janeiro, os países da UE discutiram uma possível reação caso as ameaças dos EUA se tornem reais.
Até 1953, a ilha era uma colônia da Dinamarca. Ela continua fazendo parte do reino, mas, desde 2009, possui autonomia com possibilidade de autogoverno e definição independente de sua política interna.