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Aspiração dos EUA de anexar Groenlândia põe à prova unidade do Ocidente, aponta jornal

© AP Photo / Evgeniy MaloletkaBarco navega por uma enseada congelada perto de Nuuk, na Groenlândia.
Barco navega por uma enseada congelada perto de Nuuk, na Groenlândia. - Sputnik Brasil, 1920, 16.01.2026
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A União Europeia (UE) precisará escolher entre soberania e solidariedade transatlântica em relação à Groenlândia, pois a situação atual desafia a ordem mundial baseada em "regras", escreve o jornal Global Times.
O jornal destaca que a concepção de segurança baseada exclusivamente na força, representada por mecanismos coletivos como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), não pode trazer segurança genuína à Europa.
Segundo a publicação, a Groenlândia está passando por um teste de pressão geopolítica dentro do Ocidente, mas a questão não se restringe apenas aos EUA e à Europa.

"Em comparação com as evidentes ameaças de uso da força por parte dos EUA, que mantêm bases militares no país, as operações militares em pequena escala da Europa parecem mais uma 'resposta gestual', uma tentativa de salvar a honra e apaziguar a Dinamarca, evitando, ao mesmo tempo, irritar os EUA", ressalta o artigo.

Nesse contexto, os autores duvidam que a Europa aceite um compromisso sobre a Groenlândia, salientando que isso não se resume aos interesses e ao prestígio da Dinamarca e da Europa, mas testa a coragem do continente em defender a paz e a justiça regionais ante ameaças à ordem mundial baseada em "regras".
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É observado que, por décadas, a UE se posicionou como defensora e promotora de uma ordem internacional baseada em regras. Agora é hora de confirmar isso na prática.
Por isso, o material aponta que uma abordagem à segurança baseada exclusivamente na força e em mecanismos coletivos, como a OTAN, não é capaz de garantir a verdadeira segurança do continente.

"A Europa poderia considerar a ousada ideia de construir uma Europa sem a OTAN e um mundo sem hegemonia", enfatiza a matéria.

Além disso, é apontado que a Europa deve entender que, se não houver a criação de uma sensação de risco de uma resposta dura por parte dos EUA, a Groenlândia ficará sob o controle deles, o que criará um precedente global perigoso.
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Isso minará o direito internacional, exortando a UE a se tornar um polo significativo em um mundo multipolar.
No entanto, o artigo aponta que a UE ainda possui alavancas de influência: como o maior parceiro comercial de Washington, pode introduzir contramedidas pontuais contra a agricultura e a indústria norte-americanas.
Ao mesmo tempo, na esfera militar, a UE pode desdobrar forças de reação rápida no Ártico em conjunto com a Dinamarca, dessa maneira aumentando os custos da agressão estadunidense.
Caso contrário, opina o jornal, os EUA podem mirar na Islândia, na Noruega, na Suécia ou no Canadá.
Assim, a reportagem conclui que a Groenlândia é o espelho do dilema diplomático europeu, no qual a verdadeira segurança nasce da confiança na cooperação e no respeito às normas internacionais.
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A Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca. No entanto, o presidente estadunidense, Donald Trump, afirmou repetidamente que a ilha deveria passar a fazer parte dos EUA, alegando sua importância estratégica para a segurança nacional.
O líder norte-americano se recusou a prometer que não usaria força militar para estabelecer controle sobre a Groenlândia, bem como a responder claramente à pergunta sobre o que é mais importante para ele: a ilha ou a preservação da OTAN.
As autoridades da Dinamarca e da Groenlândia alertaram os Estados Unidos contra a conquista da ilha, afirmando esperar que sua integridade territorial seja respeitada. Em janeiro, os países da UE discutiram uma possível reação caso as ameaças dos EUA se tornem reais.
Até 1953, a ilha era uma colônia da Dinamarca. Ela continua fazendo parte do reino, mas, desde 2009, possui autonomia com possibilidade de autogoverno e definição independente de sua política interna.
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