De acordo com a publicação, no desfiladeiro Coprates Chasma, que faz parte do imenso sistema de cânions Valles Marineris, imagens de satélite revelaram depósitos em forma de leque muito semelhantes aos deltas fluviais que se formam na Terra quando rios deságuam em grandes corpos d’água.
Ilustração do oceano em Marte
© Getty Images / Science Photo Library/Mark Garlick
A descoberta foi feita por pesquisadores da Itália e da Suíça. Fritz Schlunegger, geomorfologista da Universidade de Berna, na Suíça, e um dos autores do estudo, afirmou que os estuários encontrados em Marte pertencem a rios que, em tempos remotos, desembocavam em um vasto oceano marciano.
"As estruturas deltáticas se formam onde rios deságuam em oceanos, como sabemos por inúmeros exemplos na Terra. As formações identificadas nas imagens correspondem claramente à foz de um rio que desembocava no oceano", disse Schlunegger.
De acordo com os dados dos cientistas, todas as estruturas deltoides foram detectadas a uma altitude entre 3.650 e 3.750 metros abaixo do nível de referência marciano, cerca de 1.000 metros acima do ponto mais profundo do Valles Marineris. Essa configuração sugeriria a existência de um mar com dimensões semelhantes às do Oceano Ártico.
Modelo da costa marciana
© Foto / ESA/ExoMars – TGO/CaSSIS/Ignatius Argadestya
Além disso, os pesquisadores estimaram que esses depósitos se formaram há aproximadamente 3 bilhões de anos. Como não foram encontrados estuários em regiões mais elevadas de Marte, os cientistas concluíram que esse foi o período em que o planeta dispunha da maior quantidade de água líquida em sua superfície.
Independentemente de para onde toda essa água tenha ido, sua presença no passado reforça a hipótese de que Marte já teve condições favoráveis à vida.