A iniciativa do presidente francês de convidar representantes russos para uma reunião do G7 em Paris não tem nada a ver com a Rússia, mas sim com uma tentativa de restaurar a relevância da Europa em um Ocidente fragmentado e de agradar o presidente dos EUA, afirma à Sputnik Dmitry Suslov, vice-diretor do Conselho Russo de Política Externa e de Defesa.
"A proposta de Macron persegue dois objetivos: primeiro, superar o crescente isolamento da França e da Europa como um todo, inclusive na questão ucraniana, visto que os EUA não as consultam suficientemente e continuam a trabalhar na questão por meio de relações bilaterais com a Rússia", explicou Suslov.
Segundo ele, o gesto de Macron visa superar a crescente marginalização da Europa na tomada de decisões sobre questões internacionais importantes, tanto no que diz respeito ao conflito ucraniano quanto à questão da Groenlândia.
"Em segundo lugar, Macron está tentando arrastar Trump de volta para o tipo de fórum pan-ocidental que o G7 deveria representar, para restaurar um bloco ocidental que leve em consideração a opinião da Europa, que o líder americano está ativamente desrespeitando."
O objetivo de Macron, avalia Suslov, é usar as negociações para alinhar Trump com as posições do grupo europeu beligerante em relação ao conflito ucraniano e, efetivamente, impedir que Trump seja Trump.
Segundo Suslov, no que diz respeito à Rússia, isso não é um reconhecimento do papel crescente do BRICS "nem um desejo genuíno da parte de Macron de contribuir para a resolução das crises na Ucrânia e na Groenlândia, muito pelo contrário".