A declaração ocorreu após Lula chegar ao Panamá, onde participa do Fórum Econômico Internacional da América Latina. Na última semana, o brasileiro chegou a criticar a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar o Conselho da Paz, do qual questionou a intenção do norte-americano de substituir a Organização das Nações Unidas (ONU) com a nova estrutura.
"Espero marcar com o presidente Trump, no começo de março vou fazer uma viagem a Washington. Estados Unidos e Brasil são as duas principais democracias do Ocidente e eu acho que dois chefes de Estado precisam conversar olhando um no olho do outro para que a gente possa discutir as boas relações", declarou.
Conforme Lula, além de Trump, foram mantidas conversas por telefone nos últimos dias com presidentes como da França, Emmanuel Macron, e do Chile, Gabriel Boric, para discutir o fortalecimento do multilateralismo.
"Eu estou convencido que a gente vai voltar à normalidade logo logo, que a gente vai fortalecer o multilateralismo e que a gente vai fazer com que as economias voltem a crescer, porque é isso que o povo espera de todos nós", destacou.
Na última segunda (26), Lula e Trump conversaram por telefone durante cerca de 50 minutos e, entre os tópicos, foi discutida a visita oficial do presidente ao país. Durante o diálogo, os líderes discutiram o Conselho da Paz proposto por Washington, no qual Lula ainda não decidiu se o Brasil vai ou não participar do grupo. Lula sugeriu que o novo órgão foque na crise em Gaza e inclua um assento para a Palestina.
Em discurso na semana passada, Lula chegou a criticar a iniciativa de Trump que, segundo ele, simboliza o esvaziamento da ONU e a substituição do diálogo internacional pela imposição da força. "O que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU", afirmou na ocasião.
Além disso, o presidente brasileiro criticou fortemente o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela no início do mês, quando o presidente Nicolás Maduro e a esposa, Cilia Flores, foram sequestrados.