Para ele, Pequim tem acumulado avanços significativos em um cenário internacional cada vez mais instável. Embora reconheça que os Estados Unidos continuam sendo a principal potência mundial, Barroso destacou que a China vem ganhando terreno graças ao crescimento econômico, ao avanço tecnológico e a sucessivas vitórias diplomáticas.
Segundo o South China Morning Post, Barroso ressaltou que a China tem "marcado mais pontos" recentemente, não apenas pela expansão de sua economia, mas também pela forma como tem se posicionado diante de eventos globais.
Ele citou, como pano de fundo, as tensões provocadas pelas tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pela recente ameaça de anexação da Groenlândia.
Sem mencionar diretamente Washington, Barroso classificou o ambiente internacional como "volátil", "imprevisível" e "perigoso", marcado por uma crescente competição entre grandes potências em que a postura chinesa tem chamado atenção de analistas e líderes políticos, destaca a apuração.
O professor Chen Zhiwu, da Universidade de Hong Kong, reforçou à mídia asiática essa percepção ao afirmar que a China tem ganhado vantagem justamente por não replicar as ações dos EUA. Segundo ele, Pequim tem se beneficiado ao adotar uma postura mais observadora diante das decisões de Trump.
Durante o fórum, Barroso também destacou o papel da Europa como peça essencial na ordem global, ao lado de EUA e China. Ele lembrou que o bloco europeu concluiu recentemente o acordo de livre comércio com o Mercosul, após três décadas de negociações, e que um pacto com a Índia está próximo.
O ex-presidente da Comissão Europeia também defendeu que a Europa não deve ser subestimada e que, diante das incertezas globais, alianças, cooperação e abertura comercial são fundamentais, destacando que fortalecer parcerias e manter o compromisso com o multilateralismo é indispensável.