A UE anunciou um novo acordo comercial que simboliza uma mudança estratégica após tensões recentes com os EUA, incluindo ameaças de tarifas feitas pelo presidente Donald Trump. Esse movimento integra uma série de pactos firmados ou avançados no último ano com Índia, Japão, Indonésia, México e Mercosul, reforçando a busca europeia por diversificação e autonomia.
Segundo a AP, o presidente do Chipre, Nikos Christodoulides, afirmou que "a ordem internacional em que confiámos durante décadas já não é garantida", defendendo uma UE mais autônoma e preparada para agir de forma unida. O discurso reflete o sentimento predominante no bloco, que assume postura mais assertiva diante de um cenário global instável.
Ursula von der Leyen assinou em Nova Deli um amplo acordo de livre comércio com a Índia, que ela descreveu como "a mãe de todos os acordos". O pacto poderá impactar até 2 bilhões de pessoas, reduzindo tarifas para quase todas as exportações entre os dois lados e fortalecendo laços estratégicos.
De acordo com a apuração, especialistas afirmam que o acordo com a Índia só se tornou possível no atual contexto geopolítico, marcado pela ascensão da China e pela postura mais agressiva da administração Trump, acelerando a busca europeia por novos parceiros e maior autossuficiência.
A UE também avançou em acordos com Indonésia e Mercosul, além de aprofundar relações com Japão, Coreia do Sul e Austrália — países igualmente cautelosos com as ambições chinesas por mercado e com a imprevisibilidade política de Washington. Analistas observam que o bloco percebe estar mais isolado e precisa fortalecer sua rede global.
No campo da defesa, o conflito ucraniano e as críticas norte-americanas sobre os baixos gastos europeus impulsionaram a criação de mais instrumentos financeiros para reforçar a indústria militar do bloco. Líderes europeus defendem que a UE precisa construir verdadeira "autonomia estratégica" para enfrentar ameaças futuras.
Com o segundo mandato de Trump, os países europeus concordaram em ampliar seus orçamentos de defesa, destinando € 150 bilhões (cerca de R$ 934,5 bilhões) a sistemas antimísseis, drones, cibersegurança e inteligência artificial (IA). Empresas de armamentos como Leonardo, Rheinmetall, Thales e Saab registram forte valorização.
Na energia, a UE tenta reduzir a dependência da Rússia, mas passou a importar mais petróleo e gás liquefeito dos EUA — o que também representa risco. O comissário Dan Jorgensen alertou que "não queremos substituir uma dependência por outra", defendendo diversificação e novas parcerias, incluindo negociações com países do Mediterrâneo Oriental e do golfo Pérsico.