A ameaça de tarifas de até 25% feita por Trump a oito economias europeias obrigou líderes da União Europeia (UE) e do Reino Unido a discutir como responder. A pressão tinha como objetivo forçar a Dinamarca a negociar a venda da Groenlândia, reacendendo tensões comerciais entre Washington e o bloco europeu.
Segundo o Financial Times, a modelagem conduzida pela economista Jun Du sugere que retaliar seria economicamente pior para todos os países europeus do que simplesmente absorver as tarifas. A pesquisa mostra que a Europa sairia mais prejudicada do que os EUA em qualquer escalada tarifária equivalente.
Embora Trump tenha recuado da ameaça durante um discurso em Davos, o episódio expôs os dilemas enfrentados pelos líderes europeus: manter uma frente unida contra os EUA ou evitar retaliações que poderiam prejudicar suas próprias economias. O Reino Unido, por exemplo, sinalizou que não responderia com tarifas, argumentando que uma guerra comercial não beneficiaria ninguém.
A modelagem revela ainda que, se o Reino Unido tivesse retaliado com tarifas de 25%, sofreria um impacto econômico duas vezes maior do que se aceitasse as tarifas norte-americanas, mesmo considerando perdas relevantes nas exportações britânicas. Além disso, participar de uma retaliação coordenada com a UE seria ainda mais prejudicial para a economia britânica.
Apesar do recuo de Trump no caso da Groenlândia, novas ameaças surgiram, incluindo tarifas contra a Coreia do Sul. Tanto a UE quanto o Reino Unido seguem negociando com Washington para manter as tréguas tarifárias firmadas anteriormente, em um ambiente de incerteza crescente.
O estudo também aponta que, embora a Europa perdesse em uma retaliação total, ainda poderia causar danos aos EUA por meio de medidas específicas. A UE chegou a preparar um pacote de tarifas sobre € 93 bilhões (cerca de R$ 578 bilhões) em importações norte-americanas, incluindo aviões, automóveis, bourbon e soja, caso as tarifas fossem aplicadas.
Para que a retaliação fosse realmente eficaz, no entanto, a Europa precisaria incluir setores de serviços norte-americanos, como tecnologia e finanças, onde o continente é um mercado essencial. Ainda segundo a apuração, especialistas destacam que qualquer ameaça precisa ser crível e juridicamente viável, enquanto vozes do setor empresarial britânico reforçam que guerras tarifárias são um "jogo de soma negativa" e defendem a diversificação das relações comerciais do Reino Unido.