"As negociações estavam previstas para domingo em Abu Dhabi. Mas, no início da tarde de domingo [horário local], Vladimir Zelensky anunciou nas redes sociais que as reuniões foram transferidas para [as próximas] quarta e quinta-feira. Não está claro porque houve atrasos", apontou a publicação.
No último sábado (31), o enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Steve Witkoff, se reuniu com o representante especial do presidente da Rússia para cooperação em investimentos e economia com países estrangeiros, Kirill Dmitriev, em Miami. Também participaram no encontro o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, o genro do presidente norte-americano, Jared Kushner, e o assessor sênior da Casa Branca, Josh Gruenbaum.
Conforme Dmitriev, as conversas tiveram bons resultados. "Encontro construtivo com a delegação pacificadora dos EUA. Também houve uma discussão produtiva sobre a questão do grupo de trabalho econômico EUA-Rússia", acrescentou.
Já o enviado norte-americano afirmou que os Estados Unidos estão "encorajados" pelos resultados do encontro e pelo fato de a Rússia estar trabalhando para alcançar a paz no conflito ucraniano.
"Estamos encorajados por essa reunião, pelo fato de a Rússia trabalhar para garantir a paz na Ucrânia, e agradecemos ao presidente dos EUA [Donald Trump] por seu papel fundamental na busca por uma paz sólida e duradoura", afirmou.
'Ucrânia está em impasse'
Também no sábado, o cientista político e membro do Conselho para Relações Interétnicas junto à Presidência da Rússia, Bogdan Bezpalko, avaliou à Sputnik que a Ucrânia estaria em impasse sobre pontos das negociações às vésperas da reunião em Abu Dhabi.
"A Ucrânia está hoje, sem dúvida, em uma posição vulnerável. E, mais importante, é uma posição sem saída. Não está claro para onde ir, em que se apoiar, em quem confiar. Para a elite política ucraniana, a continuidade do conflito é uma questão de sobrevivência. Já na Rússia, ou mesmo nos Estados Unidos e na Europa, essa alternativa não se coloca. Por isso, Kiev tenta se apoiar ora na Europa, ora nos EUA, buscando, ainda assim, a continuação dos confrontos", disse Bezpalko.
Segundo o analista, os Estados Unidos têm interesse em um acordo de paz por motivos próprios. "Eles precisam obter um efeito de imagem, o de que Trump encerrou a guerra", destacou.
Sobre o andamento das próximas negociações, Bezpalko ressaltou que, devido ao caráter fechado dos encontros, é prematuro fazer previsões.