Edson Fachin, presidente do tribunal, tenta iniciar o ano judiciário de 2026 com uma demonstração de unidade, tendo solicitado a presença presencial de todos os ministros na sessão de abertura — com exceção de Luiz Fux, que participará remotamente por motivos de saúde.
A expectativa é de que Fachin faça um discurso em defesa do Supremo, embora haja incerteza sobre se ele abordará diretamente sua principal bandeira: a criação de um código de conduta para ministros de tribunais superiores. A proposta divide a corte, com parte dos magistrados temendo que o tema, neste momento, possa desencadear novos ataques e ampliar o desgaste institucional.
O ministro Dias Toffoli está no centro das tensões, devido à sua relação com a investigação do Banco Master, incluindo uma viagem de jatinho com um advogado ligado ao caso e vínculos familiares com um fundo associado ao banco. Diante desse cenário, Fachin foi aconselhado a agir com cautela para evitar que o tribunal entre fragilizado em um ano eleitoral que promete intensificar os atritos com o Congresso.
De acordo com a Folha de S.Paulo, com a reabertura simultânea do Legislativo, ministros avaliam que parlamentares podem retomar iniciativas hostis ao Supremo, como pedidos de impeachment, Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) direcionadas e projetos do chamado "pacote anti‑STF".
Esse ambiente adverso reforça a necessidade de blindagem institucional nos primeiros meses do ano.
Na esfera judicial, temas sensíveis devem dominar a pauta. A Primeira Turma julgará, entre fevereiro e março, casos de grande repercussão, como o processo contra deputados do Partido Liberal (PL) acusados de desvio de emendas e o julgamento dos supostos mandantes do assassinato de Marielle Franco. Também deve avançar a ação penal contra o ex‑deputado Eduardo Bolsonaro por suposta interferência em investigações.
Ainda segundo a apuração, a estratégia interna é concentrar os julgamentos mais polêmicos até junho, antes do início do calendário eleitoral, quando o STF busca tradicionalmente reduzir sua exposição. No plenário, o primeiro caso do ano será a ação que questiona as regras do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre o uso de redes sociais por magistrados, sob relatoria de Alexandre de Moraes, que já conta com maioria para manter a norma.
A cerimônia de abertura contará com a presença do presidente Lula, dos chefes do Senado e da Câmara, além de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Jorge Messias, indicado ao STF, mas ainda não sabatinado, também deve comparecer. Fachin marcou ainda uma reunião privada com os ministros para 12 de fevereiro, oficialmente um almoço de confraternização, mas que deve incluir discussões sobre o código de conduta.