As declarações referem-se à decisão de 29 de janeiro da Suprema Corte do país, que considerou "inconstitucional" a concessão dada à empresa Panama Ports Co., subsidiária da CK Hutchison Holdings, de Hong Kong, para operar dois dos principais portos do Canal do Panamá.
A subsidiária anunciou ter iniciado um processo de arbitragem internacional contra o Panamá. Segundo as autoridades chinesas, o acordo de concessão esteve em vigor por 30 anos, e as autoridades competentes do Panamá confirmaram repetidamente que a empresa de Hong Kong cumpriu os termos do contrato e honrou integralmente suas obrigações.
A decisão judicial mina seriamente os direitos e interesses legítimos da empresa, afirma o comunicado, advertindo que ela envia um sinal claro aos investidores internacionais de que o Panamá não é capaz de oferecer garantias sólidas.
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, anunciou em 30 de janeiro que o governo está negociando com a APM Terminals, unidade da AP Moller-Maersk, para administrar os portos de forma temporária.
Em resposta, o governo de Pequim afirmou que "tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar firmemente os direitos e interesses legítimos e legais das empresas chinesas".
Por sua vez, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, ressaltou que essa decisão "fortalece a confiança, o Estado de Direito e a segurança nesta região estratégica"..
Em seu discurso de posse no ano passado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou claro que Washington pretendia assumir o controle do Canal do Panamá. Desde então, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tem visitado repetidamente o Panamá para transmitir a posição de Washington a Mulino.
A decisão da Justiça panamenha foi amplamente vista como uma vitória para Washington, em meio ao acirramento da rivalidade entre Estados Unidos e China sobre as rotas comerciais globais.