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Nipah: quais são as chances do vírus detectado na Índia causar nova pandemia?

Em entrevista à Sputnik Brasil, especialista explica riscos e formas de prevenção contra a doença com alta taxa de mortalidade.
Sputnik
As informações de um surto na Índia causado por um vírus transmitido por morcegos e altamente mortal reacendeu o temor entre brasileiros sobre as chances de uma nova pandemia, assim como a do coronavírus no início desta década.
De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades locais, foram registrados dois casos na Índia no início de janeiro, ambos entre profissionais da área da saúde. Um dos pacientes apresenta boa evolução clínica, enquanto outro continua sob cuidados críticos.
Segundo dados da Coalização para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI, na sigla em inglês), a taxa de mortalidade do Nipah pode chegar a até 75% — o coronavírus no Brasil, por exemplo, teve letalidade de 1,8%, conforme dados do Ministério da Saúde.
A pasta, inclusive, emitiu uma nota na última semana apontando que não há "evidência de disseminação internacional ou risco para a população brasileira", enquanto o país trabalha com “instituições de referência como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)”.
Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista Ivo Castelo Branco Coelho afirmou que as chances de uma pandemia são baixas, uma vez que o Nipah apresenta uma baixa taxa de infecção. Neste surto na Índia, por exemplo, 198 pessoas próximas aos infectados foram testadas e todas tiveram resultado negativo.
O professor titular e coordenador do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Federal do Ceará (UFC) explica que o Nipah é um vírus identificado pela primeira vez na Malásia, em 1999, e é comum a uma espécie de morcego que vive nos continentes da Ásia e da Oceania.

"O reservatório desse vírus são os morcegos chamados raposas-voadoras. O morcego transmite esse vírus através dos excrementos dele, como a urina, fezes e a saliva, que é o maior problema. Apesar de grande, esse morcego gosta de frutas, e a saliva dele pode contaminar alimentos. É aí onde passa a haver a transmissão."

Apesar de não existirem morcegos raposa-voadora no Brasil, a transmissão também pode acontecer pela ingestão de alimentos contaminados, assim como no contato direto com pessoas e superfícies infectadas, embora seja raro.
"A transmissão importante para o ser humano é a transmissão interpessoal, que é aquela que passa de pessoa para pessoa, e que pode ser feita através da respiração, no caso desse vírus."
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Prevenção em meio à desinformação

A OMS é a principal instituição multilateral a nível global para questões de saúde e teve papel determinante ao longo da pandemia do coronavírus, auxiliando na difusão de informação sobre como evitar a transmissão da Covid-19 e seus respectivos cuidados.
Entre a pandemia e hoje, a OMS perdeu um importante patrocinador, os Estados Unidos. Em janeiro de 2025, a Casa Branca decidiu deixar o órgão e, consigo, levou um aporte anual de cerca de US$ 500 milhões (mais de R$ 2,6 bilhão na cotação atual), segundo estimativas de agências de notícias.
A saída, oficializada somente há pouco mais de uma semana, também contou com a recusa norte-americana em quitar contribuições pendentes, avaliadas em cerca de US$ 260 milhões (R$ 1,3 bilhão), declarando que não vê motivo para pagar.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse à Reuters em maio do ano passado que estes cortes no orçamento da organização teriam impacto significativo na saúde das pessoas ao redor do mundo.
Para Coelho, para conter a disseminação de um vírus como o Nipah, é necessário um conjunto de mecanismos de contenção, que envolvem um grupo multidisciplinar e, consequentemente, investimento.
"Para controlar uma coisa como essa tem que ter o movimento da saúde, dos órgãos de controle, dos órgãos de atendimento. Nós temos que ter o envolvimento político para poder ter condições de dar diagnóstico e atendimento para essas pessoas, que envolve dinheiro, treinamento de profissionais e educação da população."
O professor da UFC também destaca a luta que cientistas travam todos os dias contra a desinformação e a cultura antivacina que ganhou força nos últimos tempos, inclusive em meio a governos.

"Se você for ver hoje em dia, os Estados Unidos com o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) estão bloqueando [as vacinações]. A vacinação de gripe e sarampo não foram feitas porque disseram que causa autismo, a vacina de coronavírus de RNA pode ter problemas de câncer, e nada disso é cientificamente comprovado, mas até você dizer que não é, o estrago já foi feito."

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