"A Embraer ocupa uma posição singular na economia brasileira, o que explica sua presença recorrente em acordos do governo com países do BRICS. Trata-se de uma das poucas indústrias brasileiras de alta tecnologia com inserção global. [...] Nesse sentido, a Embraer pode ser considerada um bastião tecnológico nacional."
"Suas aeronaves operam em dezenas de países e estão normalmente associadas a acordos de cooperação industrial, treinamento e transferência de tecnologia, criando vínculos duradouros entre o Brasil e seus parceiros. Em um mundo cada vez mais fragmentado, a Embraer se consolida como um dos poucos ativos brasileiros capazes de projetar influência tecnológica, industrial e diplomática de forma consistente no exterior."
Ousar ou consolidar?
"Quando olho para as projeções para os próximos 20 anos, vemos uma oportunidade para 40 mil aeronaves nesse segmento. É muita coisa. Acho que há espaço para mais de duas fabricantes, certo? Talvez três ou quatro."
"Do ponto de vista estratégico, seria interessante [desenvolver widebodies]. A questão é: tenho condições de fazer isso, não apenas do ponto de vista técnico, mas do ponto de vista financeiro e geopolítico? Vou estar enfrentando Estados Unidos (Boeing), União Europeia (Airbus) e China (Comac) nesse mercado. Não é apenas uma disputa comercial, é uma disputa econômica entre os países, entre as nações, o que envolve geopolítica."
"Caso o Brasil for entrar nesse segmento, a única hipótese que vejo, vislumbro, é a hipótese da Embraer entrar em parcerias com países que não produzem essa aeronave e que tem uma competência técnica, uma importância geopolítica, para poder estar com a Embraer nessa disputa. No momento, é uma articulação possível, mas difícil de ser executada."