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Human Rights Watch: segurança e crime organizado colocam pressão inédita no Estado brasileiro

A Human Rights Watch (HRW) afirma que o Brasil precisa adotar novas estratégias para enfrentar o crime organizado e sua infiltração no Estado, destacando que a segurança pública será um tema central na eleição presidencial.
Sputnik
Pesquisas recentes mostram que crime e violência seguem como a principal preocupação dos brasileiros. No relatório mundial de 2026, a ONG internacional de direitos humanos defende uma reformulação profunda das políticas de segurança pública, com foco no combate às facções criminosas.
A entidade alerta que o atual modelo não tem sido capaz de impedir o avanço dessas organizações nem de proteger adequadamente a população.

Segundo apuração do G1, o diretor da HRW no Brasil, César Muñoz, relatou ter ouvido de um promotor que policiais estavam envolvidos em todos os casos de facções investigados por ele. Segundo Muñoz, grupos criminosos cooptam agentes públicos e até políticos locais, criando um risco grave de corrupção institucional.

A ONG recomenda investigações mais robustas e baseadas em inteligência para identificar vínculos entre criminosos e integrantes do poder público. Entre as propostas estão estratégias baseadas em dados, fortalecimento das perícias, proteção dos direitos de civis e policiais e maior coordenação entre órgãos federais e estaduais para combater armas, lavagem de dinheiro e fontes de renda das facções.
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Casos recentes reforçam a preocupação: investigações revelaram a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) em setores como transporte, combustíveis e fundos de investimento, além de fraudes em contratos municipais. A condenação de 11 policiais por fazerem segurança ilegal para um delator do PCC expôs a infiltração do crime organizado nas polícias de São Paulo.
O tema ganhou ainda mais relevância após a megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos. No Congresso, avançam propostas do governo Lula para reorganizar diretrizes nacionais de segurança e endurecer punições a facções, em meio a um debate cada vez mais politizado.
A HRW também critica o modelo de operações policiais de caráter militar, que, segundo a ONG, aumenta a violência e coloca em risco moradores e agentes.
Com mais de 6.500 mortes causadas por policiais em 2025, a entidade defende que o país adote políticas baseadas em evidências que reduzam a letalidade e protejam efetivamente os direitos das pessoas.
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