Panorama internacional

China desafia poder aéreo dos EUA e expõe fragilidade da frota norte-americana, diz mídia

Pressão crescente por superioridade aérea leva especialistas do Instituto Mitchell a defender que os EUA ampliem drasticamente a compra de caças e bombardeiros de nova geração, sob risco de perder capacidade de dissuasão e vantagem estratégica diante do avanço militar da China.
Sputnik
De acordo com o Defense News, uma análise do Instituto Mitchell sustenta que a atual projeção de compras da Força Aérea dos EUA é insuficiente para enfrentar um conflito de alta intensidade contra a China.

Segundo a apuração, o think tank defende que o país precisaria de pelo menos 500 aeronaves de sexta geração — 300 caças F‑47 e 200 bombardeiros B‑21 — para garantir capacidade de ataque profundo e impedir que o adversário tenha áreas seguras. Os números superam com folga os planos oficiais, que preveem a aquisição mínima de 185 F‑47 e 100 B‑21.

Durante a apresentação do relatório, Heather Penney, ex‑piloto de F‑16 e diretora de pesquisa do instituto, argumentou que conflitos como Coreia, Vietnã e na Ucrânia demonstram o custo estratégico de não atingir bases e infraestruturas críticas do adversário. Segundo o portal, ela acredita que evitar esses alvos leva a guerras de atrito prolongadas, nas quais o atacante mantém liberdade de ação e impõe desgaste crescente ao oponente.
Para a diretora do instituto, a China estaria deliberadamente estruturando suas forças para transformar o Pacífico Ocidental em um vasto santuário defensivo. Permitir que um rival preserve intacto seu território e sua infraestrutura, afirmou, cria condições para que ele dite o ritmo do conflito e aumente as chances de vitória, o que faria com que os EUA tivessem de operar na defensiva em um cenário de confronto.
Panorama internacional
Força Aérea dos EUA será 'calcanhar de Aquiles' em eventual guerra com China, alerta mídia americana
O relatório cita a Operação Martelo da Meia‑Noite, ataque bem‑sucedido contra instalações nucleares iranianas, como exemplo da eficácia do poder aéreo de precisão, mas Penney destacou que a missão exigiu o emprego de toda a frota de B‑2 Spirit — tanto na ofensiva quanto como isca —, evidenciando a fragilidade numérica da aviação estratégica. Se algum B‑2 tivesse sido abatido, a Força Aérea não teria como repor a perda nem repetir a operação imediatamente.

Em um eventual confronto com a China, cuja defesa antiaérea é muito mais sofisticada que a iraniana, a limitação de aeronaves furtivas se tornaria ainda mais crítica, afirmou a analista. A falta de reservas suficientes poderia forçar os EUA a adotar uma postura excessivamente cautelosa, evitando ataques profundos para não perder ativos insubstituíveis. Essa prudência, porém, poderia ser interpretada por Pequim como sinal de fraqueza, reduzindo a capacidade de dissuasão em relação a Taiwan.

Para mitigar riscos até que o B‑21 e o F‑47 estejam disponíveis em grande número, o Instituto Mitchell recomenda suspender a aposentadoria dos bombardeiros B‑1 e B‑2 até que ao menos 100 B‑21 estejam operacionais. Também defende acelerar a produção do B‑21 e ampliar a compra de F‑35A, F‑15EX e drones de combate colaborativo, revertendo décadas de redução da frota.
O instituto vai além e propõe que a frota de bombardeiros chegue a pelo menos 300 unidades. Com 76 B‑52 em processo de modernização, isso exigiria a compra de pelo menos 224 B‑21 — mais que o dobro do planejado.
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Comentar