Após reunião com o presidente belarusso, Aleksandr Lukashenko, o ministro da Defesa de Belarus, Viktor Khrenin,
alertou sobre uma militarização "sem precedentes" em toda a Europa e "planos agressivos" contra Minsk. O ministro destacou que essa militarização inclui "mais de 2,2 mil aeronaves, 130 das quais pertencem ao
contingente da Polônia e dos Estados Bálticos".
Khrenin alertou também que estão sendo observados "voos de bombardeiros norte-americanos" e que há mísseis de cruzeiro sendo posicionados em bases dos Estados Unidos na Polônia e na Romênia. O ministro vê que há cada vez mais "violações da fronteira nacional e do espaço aéreo" de Belarus, atribuindo esse fato ao conflito na Ucrânia.
Qual é a intenção do Ocidente com Belarus? Que riscos essa militarização traz para a estabilidade regional europeia? Ao Mundioka, podcast da Sputnik Brasil, João Cláudio Platenik Pitillo, analista internacional, professor de história e coordenador do projeto Geoestratégia Estudos, aborda o tema nesta terça-feira (10).
Pitillo inicia explicando que as tensões entre o Ocidente e Belarus remontam ao fim da União Soviética, período em que o país passou a ser rotulado por governos ocidentais como "a última ditadura da Europa" — classificação que o professor rejeita de forma enfática. Na sua avaliação, as críticas dirigidas ao país do Leste Europeu decorrem da decisão de Belarus de não se alinhar às regras liberais do capitalismo, às diretrizes anticomunistas e à primazia do capital privado.
Nesse contexto, o Ocidente usa o conflito na Ucrânia como mais um pretexto para "sufocar" Minsk, assim como para impedir o país de exercer o comércio e relações diplomáticas com o resto do mundo. Também fazem parte desse arsenal ocidental as contestações
contra o processo eleitoral belarusso, aos mesmos moldes de outras revoluções coloridas.
"Belarus foi abalada por situações que nós temos
visto na Ucrânia, vimos em algum momento na Geórgia, vimos na Romênia, vimos na Moldávia, muito presente nos Estados Bálticos, que é um golpismo disfarçado de movimentos democráticos que não aceitam um processo político que os negue."
Sobretudo, a implicância ocidental com Minsk se dá pelo fato de Belarus não ter passado por um processo revisionista – derrubando monumentos soviéticos, como estátuas de Lenin ou do Exército Vermelho. Com a aproximação com Moscou, com o BRICS, e ao não ter renunciado ao socialismo, o professor alega que Belarus se tornou "objeto de fúria" do Ocidente.
Pitillo pontua que o reforço militar na fronteira com Belarus é "absurdo" e "desnecessário", justificando-o como uma ação que só escala o clima
belicista na região e tenta envolver o país no conflito ucraniano.
Em contrapartida, Minsk teria trabalhado para desarmar a situação, dispondo-se para ser o mediador entre a OTAN e a Rússia, apesar das hostilidades.