Entre 73.000 e 20.000 anos atrás, no Pleistoceno Tardio, o arquipélago japonês era habitado por leões-das-cavernas (Panthera spelaea), de acordo com uma nova análise genética e proteômica de restos felídeos fossilizados anteriormente atribuídos a tigres (Panthera tigris).
Leões e tigres eram predadores de topo difundidos durante o Pleistoceno Tardio e componentes integrais da megafauna do Leste Asiático. Leões-das-cavernas habitavam predominantemente o norte da Eurásia, enquanto os tigres eram distribuídos mais ao sul, detalha Sci.News.
"Como predadores dominantes de topo, leões e tigres provavelmente moldaram as vias evolutivas de outros carnívoros simpátricos por meio de competição direta e indireta, e influenciaram as populações de herbívoros por meio da predação, desde que surgiram há aproximadamente dois milhões de anos", disseram o pesquisador da Universidade de Pequim Shu-Jin Luo e colegas.
Atualmente, no entanto, suas faixas geográficas já não se sobrepõem, devido às extensas contrações que ocorreram no sudoeste da Eurásia no início do século XX, impulsionadas por atividades antropogênicas. As populações existentes mais próximas estão agora afastadas a mais de 300 km na Índia.
Para esclarecer a origem e a história evolutiva dos felídeos do Pleistoceno no Japão, os pesquisadores reexaminaram 26 restos subfósseis recuperados de vários locais em todo o arquipélago japonês.
"Usando a captura e sequenciamento de hibridização do genoma mitocondrial e nuclear, paleoproteômica, datação molecular bayesiana e datação por radiocarbono, descobrimos que todos os antigos restos 'tigrinos' japoneses que forneceram dados moleculares eram, inesperadamente, leões-das-cavernas", avança o estudo.
De acordo com a equipe, os leões-das-cavernas se dispersaram para o arquipélago japonês entre cerca de 72.700 e 37.500 anos atrás, quando uma ponte terrestre conectava o norte do Japão ao continente durante o último período glacial.