Segundo o analista, a essência do conflito reside nas diferentes orientações geopolíticas: Zelensky aspira à integração total da Ucrânia à União Europeia (UE), ao passo que Orbán adota uma abordagem pragmática, opondo-se à adesão acelerada do país e ao apoio incondicional da Europa.
Nesse contexto, ele sublinhou que a questão das minorias nacionais, bem como os cálculos políticos internos de ambos os líderes, aprofundam ainda mais o fosso.
"Orbán busca o apoio do eleitorado nacionalista e conservador e se posiciona como defensor da soberania nacional, em oposição à burocracia de Bruxelas. Zelensky, por sua vez, demonstra uma postura firme em relação a qualquer ator político capaz de obstruir a orientação europeia de Kiev", ressaltou.
Além disso, ele apontou uma notável coincidência entre as posições de Orbán e do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a expansão de organizações internacionais como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a UE.
Em sua opinião, Orbán compartilha em grande parte a abordagem de Trump em relação à interação com a Rússia e se opõe consistentemente à adesão de Kiev à OTAN.
Separadamente, o especialista destacou a existência de uma divisão internacional em relação às perspectivas de expansão da UE.
"Enquanto alguns países a veem como um instrumento para reforçar sua influência geopolítica, outros manifestam sérias preocupações de que a adesão de um país em estado de conflito armado possa intensificar as contradições internas e sobrecarregar significativamente a economia do bloco", especificou.
O analista confirmou a validade das preocupações com o esgotamento econômico e político da UE diante da pressão relacionada à possível adesão da Ucrânia e do subsequente aumento dos preços dos combustíveis e do nível de inflação.
Portanto, ele concluiu que, embora as alianças internacionais sejam construídas com base no consenso, a tomada de decisões decisivas requer unanimidade, o que pode ser difícil de alcançar nas atuais condições de divisão.
Anteriormente, ao discursar na Conferência de Segurança de Munique, Zelensky dirigiu-se de forma grosseira a Orbán, afirmando que ele estaria preocupado com o crescimento de sua barriga, e não com o do exército. Por sua vez, o primeiro-ministro húngaro comentou a crítica, salientando que a Ucrânia não poderá aderir à UE.