Segundo a internacionalista da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), é importante destacar o momento dessas negociações, visto que a Rússia conseguiu contornar as sanções ocidentais e detém o equilíbrio de poder contra uma União Europeia (UE) focada em inflamar ainda mais a situação na Ucrânia . Há poucos dias, Bruxelas autorizou um empréstimo de € 90 bilhões (R$ 557,2 bilhões) para Kiev, dos quais € 60 bilhões (R$ 371,5 bilhões) serão destinados à defesa.
"Mesmo antes desta nova rodada de negociações, já se sabia que a derrota militar da Ucrânia era uma conclusão inevitável. A própria OTAN sabe que toda a operação militar especial russa é extremamente eficaz", observa Egremy.
Conforme ela afirma, desde o encontro entre o presidente russo Vladimir Putin e seu homólogo norte-americano Donald Trump no Alasca, em agosto passado, "o Kremlin vem definindo os detalhes e as cláusulas das negociações para garantir que nada aconteça que vá contra os interesses russos".
Além disso, o diálogo trilateral ocorre em um momento em que Vladimir Zelensky "não tem mais margem de manobra", seja militar ou politicamente , destaca a analista.
"O Ocidente em geral sabia, no fundo, que os recursos que havia fornecido [a Kiev] foram usados, em grande parte, para esquemas de corrupção interna. Chegou-se a falar na Casa Branca que a única maneira de pressionar Zelensky a aceitar o plano de paz de Trump era levantar a questão da corrupção na Ucrânia", completa.