O documento aponta critérios típicos de bolhas financeiras: supervalorização de ativos, concentração excessiva em um único tipo de ativo, investimentos de capital exagerados e alto nível de alavancagem. "Em três dos quatro critérios, o setor de IA demonstra sinais de bolha", afirma o relatório.
Segundo o estudo, o índice S&P 500, que acompanha as 500 maiores empresas listadas nos EUA, ganhou cerca de US$ 7,5 trilhões (R$ 39,2 trilhões) em valor desde o início de 2024. Desse total, US$ 4,9 trilhões (R$ 25,6 trilhões) vieram de apenas 17 empresas ligadas à inteligência artificial.
A análise histórica de bolhas, do ouro nos anos 1970 à bolha da internet no fim dos anos 1990, mostra que as cotações reais costumam crescer dez vezes ao longo de 10 a 15 anos. As ações do setor tecnológico norte-americano teriam atingido recentemente esse patamar, elevando a probabilidade de colapso para acima de 50%, segundo os autores.
Mesmo assim, investidores continuam comprando esses papéis. Para os analistas, o comportamento especulativo no mercado "já pode ser classificado como mania financeira".
O relatório também aponta um descompasso entre os investimentos das empresas de IA e o retorno comprovado desses aportes. Além disso, os investimentos seriam financiados em ciclo fechado: fabricantes de chips investem em clientes, que usam os recursos para comprar chips, enquanto provedores de nuvem captam dívida lastreada em equipamentos que podem se tornar obsoletos antes da quitação dos empréstimos.
Parte relevante desses investimentos, segundo o documento, pode não gerar retorno. A primeira metade de 2026 será um período crítico, quando as empresas do setor precisarão demonstrar crescimento sustentável de receita capaz de justificar os investimentos realizados. Ainda assim, os especialistas afirmam ser difícil prever o momento exato de um eventual estouro.
Historicamente, aponta o relatório, o único indicador confiável de colapso tem sido a elevação das taxas de juros e o aperto das condições financeiras. No entanto, a política monetária dos EUA permanece relativamente branda.
A possível mudança na liderança do Fed em maio de 2026 e a posição do provável futuro presidente, Kevin Warsh, que considera a IA um fator desinflacionário, poderiam prolongar o período de condições monetárias favoráveis e adiar uma correção.
Mesmo nesse cenário, os analistas alertam que o setor de IA enfrentará limites estruturais. O volume de dados disponíveis para treinamento de modelos é finito, e a expansão da capacidade computacional esbarra na escassez de energia elétrica e na capacidade das redes.
Esses limites físicos poderiam ser alcançados até 2028, no início do próximo ciclo presidencial nos EUA, quando, segundo os autores, será impossível ignorar os problemas do setor.