De acordo com o South China Morning Post, a estratégia iraniana busca apresentar um eventual acordo não apenas como um pacto de segurança, mas como uma oportunidade comercial bilionária para empresas norte-americanas.
Analistas consultados pela mídia asiática observam que essa abordagem dialoga com o estilo de negociação do presidente norte-americano Donald Trump, embora alertem que a profunda desconfiança mútua e a oposição política interna em ambos os países tornam o sucesso incerto. Para autoridades iranianas, a durabilidade de qualquer acordo depende de benefícios econômicos tangíveis também para Washington.
O discurso sobre uma "oportunidade de um trilhão de dólares" não é novo, mas seu retorno sinaliza a insistência iraniana em manter o enquadramento econômico no centro das conversas. Após quatro horas de consultas indiretas mediadas por Omã, negociadores relataram avanços em princípios orientadores, ainda que sem um roteiro definido.
A leitura norte-americana, porém, foi mais cautelosa. O vice-presidente J.D. Vance afirmou que houve progresso, mas destacou que Teerã ainda não aceitou certas "linhas vermelhas" estabelecidas por Trump. Mesmo assim, especialistas reconhecem que a ênfase econômica ajuda a criar um ambiente mais favorável às negociações.
O argumento iraniano se apoia em recursos naturais expressivos, mas subdesenvolvidos. O país possui a segunda maior reserva de gás natural do mundo e a quarta maior de petróleo, além de vastas reservas minerais, incluindo zinco, cobre, ferro e lítio. Teerã tenta atrair capital estrangeiro oferecendo contratos mais lucrativos e taxas de retorno elevadas.
Propostas anteriores sugeriam que os EUA pudessem liberar exportações seletivas para o Irã, especialmente em setores como aviação e agricultura, sem suspender as principais sanções. Também estimavam que subsidiárias estrangeiras de empresas norte-americanas pudessem acessar trilhões em oportunidades de investimento até 2040.
A motivação iraniana é reforçada por uma crise econômica prolongada, marcada por inflação alta, desvalorização da moeda e estagnação. Analistas afirmam que Teerã vê um acordo como essencial para evitar novos protestos e possíveis ameaças à estabilidade interna. Ao mesmo tempo, permitir a entrada de empresas norte-americanas no setor energético representa uma mudança significativa em relação ao temor histórico de "infiltração cultural".
Ainda assim, de acordo com especialistas que falaram à mídia são previstos obstáculos por parte dos EUA. A confiança entre os dois governos é baixa, e é difícil imaginar empresas dos EUA entrando rapidamente no mercado iraniano. Além disso, a proposta econômica enfrenta resistência dentro do próprio governo Trump, marcado por figuras hostis ao Irã.
Paralelamente, atores influentes — como o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o lobby israelense no Congresso — devem pressionar contra qualquer acordo, mesmo que ele ofereça benefícios econômicos aos EUA, conclui a apuração.