"O mercado de trabalho na Argentina está em uma crise formidável, afetando duramente a produção e a indústria nacionais. Quando o consumo é afetado, a produção inevitavelmente também é. Empregos foram perdidos, empresas fecharam, há pobreza, e essa lei só piora a situação", disse ele.
Em relação a atual greve geral convocada no país, o ex-presidente afirma que ela "foi adiada por muito tempo" e "deveria ter ocorrido muito antes". Segundo ele o número de participantes é grande e "há um crescente descontentamento entre a população. A reforma trabalhista não está abordando o verdadeiro problema", afirmou.
Fernández, durante a entrevista, também passou a limpo os anos em que esteve a frente da Casa Rosada, entre 2019 e 2023.
"Se cometi erros, peço desculpas. Acreditava que estava fazendo o meu melhor. Mas meus adversários são os que podem falar sobre meus erros. Lamento profundamente o que aconteceu no último ano. Tivemos a pior seca da história da Argentina. Se a agricultura parar de exportar, isso causará danos irreparáveis. O problema fiscal, somado à retórica da mídia que semeou a instabilidade, juntamente com a especulação, levou a um grande problema com a inflação", avaliou.
Ele também mencionou o acordo feito com o Fundo Monetário Internacional (FMI), justificando que não havia outra saída e que a iniciativa permitiu que seu governo continuasse investindo em saúde e educação.
O ex-presidente também abordou a crise dentro do movimento peronista. "Uma nova fase do peronismo está surgindo. Em 2021, afirmei que o peronismo deveria ser eleito por peronistas, não por três ou quatro líderes sentados em torno de uma mesa. Somos industriais, acreditamos na concessão de direitos, acreditamos na justiça social. O que falta é uma nova liderança", ressaltou.
Durante a entrevista, Fernández comentou, ainda, sobre as relações internacionais do país, no contexto da visita de Javier Milei a Washington para participar do Conselho de Paz.
"Sair da ONU para se juntar ao 'Conselho da Paz' é uma ilusão. Com tanta subserviência, não se pode estar no BRICS, um espaço muito cordial para um país como a Argentina. Não impõe condições, propõe complementaridade, representa 44% da humanidade e do PIB global, e inclui uma potência global em ascensão como a China", concluiu.