O Ministério do Comércio chinês informou que interromperá imediatamente o envio de produtos de "dupla utilização", com aplicação civil e militar, para 20 companhias do Japão, enquanto outras 20 foram colocadas em uma "lista de observação", informou o Financial Times nesta terça-feira (24).
As medidas atingem empresas ligadas à defesa e à indústria automotiva, incluindo afiliadas da Mitsubishi Heavy Industries, Subaru e Hino Motors. Segundo um porta-voz chinês, o objetivo é conter a "remilitarização" do Japão e suas supostas ambições nucleares. A decisão provocou forte reação no mercado financeiro japonês, com quedas expressivas nas ações de grandes grupos industriais.
A tensão entre os dois países aumentou desde novembro, quando a primeira‑ministra Sanae Takaichi afirmou que uma eventual invasão chinesa de Taiwan representaria uma "ameaça existencial" ao Japão, sugerindo que Tóquio poderia responder militarmente.
Pequim, que reivindica Taiwan como parte de seu território, portanto um assunto doméstico, interpretou a declaração como provocação e endureceu sua postura após a vitória eleitoral de Takaichi.
Autoridades chinesas acusaram o Japão de manter ambições históricas sobre Taiwan. Em Munique, o chanceler Wang Yi afirmou que declarações recentes de líderes japoneses revelam um "fantasma latente do ressurgimento do militarismo", reacendendo memórias da ocupação japonesa antes do fim da Segunda Guerra Mundial.
No mês anterior, a China já havia anunciado planos para proibir exportações de materiais sensíveis destinados às Forças Armadas japonesas, incluindo minerais críticos como gálio, germânio, antimônio e grafite, além de terras raras, máquinas avançadas e componentes relacionados a baterias. As novas restrições formalizam e ampliam esse movimento.
As empresas incluídas na lista de proibição — como MHI, Kawasaki Heavy, IHI e NEC — estão diretamente ligadas ao setor de defesa. Já as companhias na lista de vigilância, como Subaru, Hino e TDK, terão seus embarques desacelerados e precisarão garantir que os materiais não serão usados para fortalecer capacidades militares japonesas.
As restrições podem afetar tanto atividades militares quanto civis, já que montadoras japonesas dependem fortemente de terras raras chinesas. Empresas como Honda já haviam alertado para a instabilidade no fornecimento, classificando o cenário como "altamente incerto" e destacando que qualquer interrupção representaria um risco significativo para suas operações.