"A IA tem um potencial de transformação da guerra muito maior do que o drone. Na verdade, são elementos complementares. Nos últimos dez anos, a IA vem tendo um uso cada vez mais disseminado em múltiplos níveis do planejamento da guerra. Desde o nível tático, na comunicação e localização em tempo real de tropas, ao nível estratégico, no processo de tomada de decisão, e até em relação ao emprego eventual ou não de armas nucleares ou de destruição em massa", explicou.
IA não deve limitar o emprego de humanos em batalhas
"A guerra é algo importante demais para ser deixada para as máquinas. Vejo que a tomada de decisão por uma IA nunca será tão abrangente quanto a dos seres humanos. Por mais que o nosso processo seja falho e até lento, ele também considera questões éticas e, no fim das contas, isso é um diferencial importante, visto que a máquina não pode ser responsabilizada por algum excesso, já que ela sempre busca o caminho mais lógico a ser executado", analisa.
"Já há um grande processo de digitalização nas tropas, e o perfil do soldado do século XXI não pode mais ser definido pela força física e pela coragem. Agora, esse combatente precisa operar esse tipo de sistema tecnológico e saber interagir com seu processo decisório e com o da IA. Dessa forma, é preciso ser mais resiliente, e já está em curso todo um processo de educação voltado para o militar que irá combater", disse.
IA também pode ser 'arma' para países em desenvolvimento
"A IA é uma tecnologia que pode facilmente se horizontalizar em direção a competidores mais fracos, com menos capacidades, por não ser algo como as armas nucleares, que estão disponíveis para um seleto grupo. Como a tecnologia da IA torna procedimentos, processos e equipamentos mais eficientes, ela também pode habilitar mais competidores militares, o que eu vejo como perigoso, porque pode levar a uma tendência de aumento do número de conflitos no mundo", comentou.