Os produtores de xisto dos EUA alertam que não conseguem aumentar a produção rapidamente o suficiente para compensar a crise de abastecimento causada pela guerra do presidente norte-americano Donald Trump contra o Irã.
Segundo o Financial Times, Scott Sheffield, veterano do setor, afirmou que qualquer expansão significativa levaria meses e só ocorreria se os preços do petróleo se mantivessem altos por um período prolongado.
As empresas ainda se recuperam de um ano de cortes, plataformas paradas e demissões, resultado de preços baixos. Mesmo com a recente alta acima de US$ 80 (R$ 527), produtores preferem usar o fluxo de caixa extra para reduzir dívidas e remunerar acionistas, não para retomar perfurações. Sheffield lembra ainda à mídia britânica que muitas companhias estão ficando sem áreas viáveis para explorar.
A escalada no Oriente Médio — incluindo ataques dos EUA e Israel, a morte do aiatolá Ali Khamenei e ameaças iranianas de fechar o estreito de Ormuz — já levou ao fechamento de campos no Iraque e instalações no Catar, aumentando temores de interrupções no fornecimento global. Analistas como Goldman Sachs e Wood Mackenzie alertam que um bloqueio prolongado pode empurrar o barril acima de US$ 100 (R$ 527,55).
Apesar disso, o governo Trump mantém otimismo, afirmando que o mundo está bem abastecido. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que o xisto norte-americano poderia adicionar até 400 mil barris por dia no segundo semestre, mas esse volume é pequeno diante dos 20 milhões de barris exportados diariamente pelo golfo.
Ainda segundo a apuração, especialistas ressaltam que a produção dos EUA, hoje em 13,6 milhões de barris por dia, deve cair neste ano, e reverter essa tendência exigiria meses, mesmo com preços elevados. Produtores da Bacia Permiana afirmam que só investiriam novamente com preços estáveis em torno de US$ 75 (R$ 395,76) por pelo menos um ano.
Investidores também demonstram cautela, avaliando que o conflito pode ser curto e que a alta atual dos preços não justificaria novos gastos. Muitos produtores só reagiriam a um aumento mais duradouro e lucrativo por barril.
Mesmo sem conseguir aliviar rapidamente a crise global, o xisto norte-americano ainda protege os consumidores dos EUA de choques mais severos. Como observa Daniel Yergin à mídia, sem essa produção, o mundo enfrentaria um cenário de pânico nos preços do petróleo.