"Está na hora de acabar com isso, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver. Essa é uma pauta da mulher brasileira", afirmou.
Na mensagem exibida na véspera de 8 de março, Lula iniciou com um chamado à reflexão sobre a realidade enfrentada pelas mulheres no país. "A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil", disse, ao classificar o feminicídio como resultado de violências diárias e naturalizadas, muitas vezes ocorridas dentro de casa.
"Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher", declarou.
O presidente destacou o lançamento do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, assinado em fevereiro, com a participação dos Três Poderes. Entre as medidas anunciadas está um mutirão coordenado pelo Ministério da Justiça, em parceria com governos estaduais, para prender mais de 2 mil agressores que estariam em liberdade. "Estou avisando: outras operações virão", afirmou.
O governo também pretende implantar o rastreamento eletrônico de agressores cujas vítimas estejam sob medida protetiva, além de ampliar Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e Procuradorias da Mulher. Lula anunciou ainda a criação do Centro Integrado da Segurança Pública, com unificação de dados e monitoramento de agressores.
A rede de atendimento às vítimas será expandida com novas unidades dos Centros de Referência e das Casas da Mulher Brasileira, que oferecem suporte especializado a mulheres e seus filhos.
Igualdade salarial e jornada de trabalho
No campo das desigualdades estruturais, Lula mencionou a lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres na mesma função, mas reconheceu que ainda há avanços a fazer. Segundo ele, as mulheres enfrentam uma dupla jornada, dividindo-se entre trabalho remunerado e tarefas domésticas.
Lula também citou a reconstrução de políticas públicas como o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Minha Casa, Minha Vida, além da criação de programas como Pé-de-Meia, Gás do Povo, Luz do Povo, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a distribuição gratuita de absorventes.
Outro ponto abordado foi o crescimento do vício em apostas on-line. Embora tenha afirmado que a maioria dos dependentes seja composta por homens, Lula destacou que as consequências financeiras recaem sobre as mulheres.
"Não faz sentido permitir que os Jogos do Tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular", disse. O presidente afirmou que o governo buscará diálogo com Congresso e Judiciário para conter o avanço de cassinos digitais.
Segurança digital e proteção a meninas
O presidente também tratou da violência no ambiente virtual, mencionando o discurso de ódio nas redes sociais e seus efeitos sobre mulheres e lideranças femininas. Ele anunciou que entrará em vigor o Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes, chamado de ECA Digital, com o objetivo de ampliar a proteção de meninas e meninos na internet.
"Quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra. E nós não aceitaremos mais sangrar em silêncio", concluiu.
O pronunciamento reforça a agenda do governo federal voltada ao enfrentamento da violência de gênero, à redução das desigualdades e à revisão de condições de trabalho que, segundo o presidente, impactam de forma mais intensa as mulheres brasileiras.