"O Brasil é um player estratégico no comércio global, a Rússia tem tecnologia de ponta no setor de infraestrutura e ferroviário, já a China tem grande capacidade de construir ferrovias. Esses países conectados em um planejamento podem transformar a economia internacional no futuro", projeta.
"O nosso mapa é posicionado para nos levar para o Atlântico, só que a gente precisa lembrar que o Pacífico é um caminho mais rápido para a China, nosso principal parceiro comercial. Se conseguirmos ofertar uma infraestrutura terrestre eficiente para portos do Pacífico, teremos uma mudança estrutural, estabilidade de preço, geração de renda e desenvolvimento sustentável", explica.
Brasília e Moscou em sintonia
"Na reunião, apresentamos a nossa política nacional de ferrovias e as oportunidades no setor. Nós ficamos impressionados com a disposição e o desejo do governo russo em participar dos projetos ferroviários no Brasil, especialmente em tecnologia. As nossas equipes estão em contato para elaborar uma minuta de memorando de entendimento similar ao que fizemos com a China", revela.
"A Rússia apresenta tecnologia de ponta, capaz de monitorar as operações e fornecer dados, aumentando a eficiência da operação logística ferroviária. Todos os nossos contratos preveem uma parcela de recursos para desenvolvimento tecnológico, e isso conversa muito bem com o desejo do Ministério dos Transportes da Rússia de participar dos projetos", comenta.
BRICS pode ser uma alternativa
"O BRICS tem mecanismos como o Banco do BRICS para financiar projetos estratégicos para os países do grupo. Acredito que o mundo está passando por muitas mudanças, nós estamos vendo conflitos acontecendo em vários países e creio que o Brasil é um país seguro para receber investimentos nesse contexto", disse.
"Nós temos um planejamento que leva em consideração a responsabilidade fiscal, e os recursos que temos são suficientes para investir. Quando a infraestrutura estiver operando, o setor privado vai explorá-la por meio de contratos de concessão em que os riscos serão compartilhados. Inclusive, o BNDES já tem linhas de empréstimo com condições favoráveis para o setor de ferrovias", conclui.