Na opinião do professor, a crise da construção naval dos Estados Unidos não decorre de falhas nos estaleiros ou do potencial de produção, mas de décadas de estagnação estratégica.
Escassez de trabalhadores, complexidade tecnológica, muita burocracia e muitos atrasos são somente uma ponta do iceberg da crise relacionada com o planejamento estratégico da Marinha dos Estados Unidos.
"O problema mais profundo está nas origens. Os problemas de aquisição da Marinha refletem não apenas dificuldades de produção, mas também um longo período de incerteza estratégica. Se Washington não puder decidir da qual frota precisa, os construtores navais nunca poderão a entregar a tempo", escreveu Latham.
Segundo o especialista, o número de 82% de navios atrasados não só indica problemas do setor militar-industrial, mas revela também a falta de objetivos estratégicos e de tarefas da frota marítima.
Latham observou que, durante o período da Guerra Fria, a Marinha estadunidense não tinha problemas com o planejamento estratégico e a definição de navios necessários, porque, no contexto da confrontação com outra superpotência marcada pela corrida armamentista, o comando militar foi ciente das tarefas especiais da frota marítima.
No entanto, com a dissolução da União Soviética, os militares norte-americanos já não tinham mais a mesma clareza sobre para que sua frota marítima foi projetada em primeiro lugar. Nos anos 90 do século passado, a estratégia da Marinha dos EUA mudou para o contraterrorismo, a guerra irregular e as operações perto da costa.
"Os Estados Unidos esperavam passar mais tempo lidando com minas, enxameando pequenas embarcações e litorais permissivos do que com uma marinha semelhante capaz de contestar o controle do mar", lê-se no artigo de Latham.
Além disso, o autor do artigo aponta que a visão estratégica da construção naval da China é muito mais clara: Pequim está se movendo em direção ao objetivo de desafiar a supremacia norte-americana no oceano Pacífico ocidental e privar a Marinha dos EUA de liberdade de ação nas águas ao redor de Taiwan.
Nesse contexto, o autor contrasta a defasagem da Marinha dos EUA com os sucessos da China.
Como resultado, o autor resume que agora há uma situação em que navios de guerra norte-americanos prontos são lançados na água anos depois que a situação geopolítica mudou, nas condições nas quais um projeto específico estava sendo desenvolvido.