"Do ponto de vista militar, as guerras do século XX demonstraram a importância de se ter controle da infraestrutura de telecomunicações. Em Rzhev, apesar de a Alemanha nazista ter conseguido tomar a cidade, ainda teve que lidar com as guerrilhas insurgentes. Por isso, faço um paralelo com a Síria, no sentido de observar a ação de forças insurgentes que não permitiram o controle completo a partir das cidades", disse.
"Eu fiz o paralelo entre Rzhev e a Síria, mas a gente também pode fazer com o Afeganistão e talvez até mesmo com Mianmar, no sentido de observação das forças insurgentes atuando no território em guerra de desgaste", pontua.
"Para os manuais militares, as lições que ficam são que não é possível operar ofensivas sem ter capacidade de comunicação na retaguarda para abastecer a linha de frente, isso custa muitas vidas, e que a superioridade militar e tecnológica não determina o vencedor. A Alemanha nazista tinha uma capacidade superior e foi derrotada, e não manteve sua retaguarda", comenta.
As etapas da batalha de Rzhev
"A fase inicial foi quando os alemães usaram Rzhev para tentar refazer a ofensiva sobre Moscou. Em seguida, houve um momento de indefinição, no qual os soviéticos conseguiram se defender e empreender ações ofensivas. Por fim, ocorre a Operação Marte, empreendida pela URSS, que quase gerou a captura do 9º Exército Alemão, na época liderado por Walter Model", disserta.
"A batalha de Rzhev foi mais longa do que a de Stalingrado, mas as duas se conectam quando os alemães perdem na parte central e começam a investir em Stalingrado, ao sul, que era o principal centro de abastecimento não só de petróleo, mas também de alguns equipamentos, porque precisavam obter alguma vitória político-militar, e o foco passou a ser ali", conclui.