Segundo o jornal Financial Times, diversos países estão "à beira do abismo" com a iminente chegada dos últimos carregamentos de gás natural liquefeito (GNL) que conseguiram deixar o Golfo Pérsico antes da intensificação dos combates.
De acordo com fontes da indústria, essas embarcações devem concluir suas rotas nos próximos dez dias, marcando o fim de um fluxo regular vindo do complexo de Ras Laffan, no Catar — o maior polo de exportação de GNL do mundo — que sofreu danos significativos após ataques com mísseis e drones.
Analistas alertam que, diferentemente de interrupções anteriores, os danos estruturais nas instalações catarianas e a insegurança nas rotas marítimas, especialmente no estreito de Ormuz, indicam um possível cenário de desabastecimento prolongado, com impactos globais nos preços e no fornecimento de energia.
Em outra questão, no campo militar, os recentes ataques iranianos também expuseram limitações importantes nos sistemas de defesa aérea mais avançados. Especialistas apontam que sistemas como o THAAD e o Domo de Ferro, apesar de altamente sofisticados, enfrentam dificuldades para conter ataques coordenados envolvendo mísseis e drones lançados simultaneamente de múltiplas direções.
A constatação de que tecnologias de mísseis e drones podem oferecer uma alternativa mais acessível para enfrentar adversários tecnologicamente superiores pode forçar Washington a reavaliar sua postura militar e investir em arquiteturas de defesa mais integradas.
Além disso, a capacidade do Irã de atingir alvos estratégicos em Israel de forma recorrente pode alterar significativamente a dinâmica do conflito. Ao impor custos mais elevados e reduzir a liberdade de ação israelense, Teerã pode tanto intensificar a escalada quanto abrir caminho para negociações indiretas, à medida que ambas as partes passam a pesar os riscos crescentes e os retornos cada vez menores da continuidade dos ataques.