A revista salienta que, apesar dos apelos do presidente dos EUA, Donald Trump, para uma participação mais direta, como em missões de escolta de navios no estreito de Ormuz, remoção de minas ou outro tipo de apoio marítimo, Tóquio e Seul mostram-se hesitantes.
"Certamente há muitos motivos para se ter cautela com o Irã […]. No entanto, o que mudou não é simplesmente a natureza do conflito. O que mudou foi o nível de confiança na liderança norte-americana", ressalta o artigo.
A revista lembra que, há 20 anos, durante a guerra do Iraque, o Japão e a Coreia do Sul enfrentaram um dilema semelhante. No entanto, naquela ocasião, eles decidiram apoiar os EUA, apesar das sérias restrições internas e jurídicas.
Segundo o material, a diferença está na forma como Washington lidou com os parceiros: o governo do ex-presidente dos EUA, George W. Bush, considerava a gestão da aliança parte dos esforços militares e dava aos aliados a cobertura política de que necessitavam.
Hoje, esse sentimento de objetivo comum está ausente, pois Trump alterna entre apelos aos países para que ajudem a garantir a segurança do estreito de Ormuz e a ostentação de que os EUA, na verdade, não precisam da ajuda deles.
A publicação constata que isso levanta uma questão fundamental para os governos aliados: Washington está seguindo uma estratégia bem definida ou agindo sob a influência dos impulsos de um único indivíduo?
A ausência de objetivos claros, como a intenção de enfraquecer as Forças Armadas do Irã ou mudar o regime, torna a participação no conflito politicamente injustificável para Tóquio e Seul.
Nesse contexto, é apontado que a Coreia do Sul e o Japão temem ser arrastados para mais uma guerra no Oriente Médio sem caminhos claros para sair dela. Além disso, durante a maior parte do mandato de Trump, Washington tratou até mesmo seus parceiros próximos como alvos de pressão econômica.
Dessa forma, o material conclui que tudo isso mina ainda mais a confiança e impede as autoridades dos aliados asiáticos dos EUA de pedir a seus eleitores que assumam riscos.
A campanha militar dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica do Irã entra na terceira semana. Durante todo esse período, as partes têm se enfrentado.
Em Tel Aviv, declararam que seu objetivo é impedir que Teerã obtenha armas nucleares. Washington ameaçou destruir o potencial militar do país e exortou os cidadãos a derrubarem o regime. O Irã, por sua vez, enfatizou que está pronto para se defender e que, por enquanto, não vê sentido em retomar as negociações.