Se a realidade desses objetos for provada, será a chave para resolver um dos maiores mistérios da cosmologia: a natureza da matéria escura, que representa cerca de 85% da massa total do Universo.
O estudo de Nico Cappelluti e Alberto Magaraggia, disponível no servidor de pré-impressão arXiv, é baseado em dados do observatório LIGO. No final do ano passado, os detectores captaram uma onda gravitacional incomum proveniente da fusão de objetos, a massa de um deles era menor que a do Sol.
Este é um fato extremamente importante: buracos negros "comuns" são formados pelo colapso massivo de estrelas e não podem, fisicamente, pesar menos que 2 a 3 massas solares. Um objeto de massa subsolar só pode ser um buraco negro primordial, formado no ambiente superdenso do Universo primitivo antes do surgimento das primeiras estrelas.
Os cientistas determinaram o número provável de tais objetos e a frequência de sua descoberta. De acordo com Cappelluti, os buracos negros primordiais podem constituir uma parte significativa, se não toda, da matéria escura, servindo assim como a "cola gravitacional" que mantém as galáxias unidas.
Apesar do otimismo, os astrofísicos reconhecem: um sinal não é suficiente. Parte da comunidade científica atribui a anomalia ao ruído nos detectores. Para obter a confirmação final, as redes de observatórios (LIGO nos EUA, Virgo na Itália e KAGRA no Japão) precisam capturar mais alguns desses "sinais" do Universo primitivo.
O futuro dessa área está ligado a novos projetos. Em 2035, está previsto o lançamento da antena espacial LISA, que será capaz de "ouvir" as ondas gravitacionais das primeiras eras após o Big Bang.