Mazzini foi baleado na cintura, com a bala saindo pelas costas. A defesa alega que o cliente agiu em legítima defesa.
Segundo o advogado Oswaldo Meza, o cliente foi acionado pela empresa de segurança que monitora o imóvel.
"Ele chegou no seu imóvel, que está na sua posse, estava arrombado. Eles entraram e arrombaram o imóvel e ele chegou já em seguida pra saber o que tá acontecendo. Quando ele entrou no imóvel, essas duas pessoas que ele não sabia quem era vieram contra ele", afirmou, mencionando também um chaveiro, testemunha do crime.
"Não foi algo premeditado, foi o reflexo ali da legítima defesa", declarou Meza.
O imóvel é alvo de disputa em leilão e ainda está sendo discutido judicialmente.
Por ser advogado, Bernal tem direito a sala de estado maior e está recolhido no presídio militar, no bairro Noroeste.
A defesa afirma que Bernal possui porte e registro de arma regulares, documentos que serão apresentados no inquérito, que está em fase inicial. Meza disse que ainda não teve acesso completo às imagens das câmeras.
"Nós não tivemos acesso a todas as imagens das câmeras de segurança, apenas algumas que saíram na mídia, que também são imagens que mostram só um ângulo. Mostra o ângulo do Alcides Bernal chegando, mas não mostra o ângulo da vítima. Nós precisamos das outras imagens para realmente comprovar a legítima defesa", disse.
Após a conclusão do inquérito, com prazo de cerca de 10 dias, o caso será encaminhado ao Ministério Público. A defesa então pretende pedir a liberdade do acusado.
"A expectativa é que ele responda em liberdade, e a gente vai fazer a defesa pra tentar absolvê-lo por legítima defesa", concluiu Meza.
Acusação
A tese da defesa, porém, é contestada pelas circunstâncias apuradas pela polícia e por testemunhas. A vítima era servidor público e havia arrematado o imóvel em leilão judicial. Os trâmites finais já estavam em cartório quando ele foi ao local acompanhado de outras duas pessoas, entre elas um chaveiro.
Na camionete de Mazzini, havia uma notificação extrajudicial datada de 20 de fevereiro de 2026 determinando que Bernal desocupasse o imóvel voluntariamente em 30 dias.
Testemunha afirmou que Bernal não deu chance de defesa ao fiscal tributário, pois chegou atirando. A vítima foi atingida por dois disparos, sofreu três perfurações e chegou a ser reanimada por cerca de 25 minutos, mas não resistiu. O corpo foi encontrado na varanda, na entrada do imóvel. A Polícia Civil lavrou o flagrante como homicídio qualificado por recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido.
O histórico do imóvel também contradiz a narrativa de que a posse ainda seria de Bernal. A mansão, avaliada em R$ 3,7 milhões, foi levada a leilão em novembro de 2025 após anos de dívidas, bloqueios judiciais, penhora e arresto. A família da vítima divulgou nota afirmando que Mazzini estava entrando no imóvel adquirido por meios legais quando foi surpreendido, e que ele estava desarmado, foi atingido pelas costas e não teve qualquer possibilidade de defesa.