As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratam a propaganda eleitoral em rádio e TV como um ativo estratégico para 2026, apesar da ascensão das redes sociais.
De acordo com a Folha de S.Paulo, ambas apostam no fortalecimento de suas coligações para ampliar o tempo de exposição nesses meios, considerados decisivos para atingir públicos específicos.
Segundo a apuração, a avaliação interna das campanhas é que a TV aberta ainda alcança majoritariamente eleitores de renda mais baixa, faixa em que Lula tem vantagem, segundo o Datafolha. Já o rádio permanece relevante para atingir regiões mais remotas do país, ampliando o alcance das mensagens e da disputa narrativa.
Com a eleição projetada como muito apertada, as equipes dos dois candidatos buscam equilibrar investimentos entre redes sociais e propaganda tradicional. O objetivo é usar o tempo de TV e rádio tanto para reforçar atributos positivos quanto para desconstruir o adversário, influenciando segmentos-chave do eleitorado.
Nesse contexto, Flávio Bolsonaro tenta atrair partidos do centrão — especialmente União Brasil, PP e Republicanos — para ampliar sua coligação. Lula, por sua vez, trabalha para impedir que essas siglas se alinhem formalmente ao adversário, buscando apoio regional e fissuras internas que reduzam o peso da aliança rival, diz a apuração.
Caso permaneça apenas com o PL, Flávio terá menos tempo de propaganda que Lula no primeiro turno. Mas, se conseguir atrair União Brasil, PP e Republicanos, passará a ter quase o dobro de inserções e um programa eleitoral significativamente maior, superando inclusive a estrutura que seu pai teve em 2022.
Com o centrão, Flávio alcançaria mais de sete minutos diários de programa eleitoral, enquanto Lula ficaria com menos de quatro. O PSD, que deve lançar Ronaldo Caiado ou Eduardo Leite, teria tempo reduzido, e outros pré-candidatos cujos partidos não cumpriram a cláusula de desempenho não terão direito à propaganda.
Lula também tenta ampliar seu tempo buscando o MDB, oferecendo a vaga de vice, mas enfrenta resistência interna: mais da metade dos diretórios estaduais defende neutralidade. As projeções de tempo de TV seguem o cálculo que combina o número de deputados federais eleitos e a divisão igualitária entre candidatos.
A propaganda eleitoral começa em 28 de agosto e vai até 1º de outubro, com programas fixos e inserções ao longo da programação. O cenário ainda pode mudar com decisões de partidos médios e pequenos, como Avante, PSDB/Cidadania e Podemos, que podem alterar o equilíbrio do tempo de exposição entre os principais candidatos.