"Há setores que efetivamente crescem — mineração, energia, parte do agro —, mas são aqueles que geram pouca mão de obra e têm escassa integração com o resto da economia", disse Pollera.
"Os setores que crescem, como mineração ou energia, juntos não geram nem 15% do emprego que a indústria perde", apontou. "Os empregos que eventualmente a mineração gera estão no norte, e os da energia, na Patagônia, ao sul, enquanto os que são destruídos estão na região metropolitana e nas cidades industriais. Essas pessoas não podem ser requalificadas nem transferidas de um dia para o outro", explicou.
Em entrevista à Sputnik, o economista Eduardo Jacobs afirmou que o emprego formal perde peso diante de formas de trabalho mais instáveis: "estamos diante de um processo de mudanças que não se explica apenas com os dados setoriais tradicionais", apontou.
"O consumo não tem a voracidade que tinha em um contexto inflacionário. Antes, consumíamos para nos livrar dos pesos, porque eles perdiam valor, e isso evidenciava um problema maior. O consumo está muito mais condicionado por decisões de restrição do que por impulso. O que estamos vendo é uma reestruturação da economia mais do que uma dinâmica tradicional de crescimento", destacou.