"A Índia é um dos principais atores da região e tem uma postura de se tornar o principal provedor de segurança e defesa no Indo-Pacífico, mas ainda há limites para isso, no entanto, há um esforço muito grande do governo indiano na modernização das suas Forças Armadas, principalmente de sua Marinha", disse.
"Vejo a disputa que ocorre no Indo-Pacífico mais na esfera política, contudo há um desenvolvimento militar. O acordo entre Indonésia e Austrália representa a necessidade de diversificação de parceiros. Há uma percepção na região de que não se deve ficar sob o guarda-chuva de segurança dos EUA, pois isso gera insegurança e incerteza", comenta.
Indo-Pacífico e seu peso geoestratégico
"O Índico já foi considerado a sombra de disputas do Pacífico e agora a gente vê uma integração maior do Índico com esses teatros de contestação e isso se dá em parte pelas rotas comerciais, cerca de 70% do petróleo mundial passam pelos estreitos que estão no Indo-Pacífico. É um lugar que conseguimos ver a reconfiguração do poder global", pontua.
"Esse foi um episódio muito delicado e compreendo que a principal preocupação que isso traz para a região é a capacidade do que acontece no Oriente Médio pode ter consequências no Índico e, consequentemente, para o Indo-Pacífico, porque há muitos aliados dos EUA na região", destaca.
Reconfiguração regional por impacto global
"As pressões que ocorrem, principalmente por movimentos dos EUA, têm um ímpeto de aproximar os países da região. Não dá para considerar o crescimento econômico sem pensar em parceiros em outros segmentos, como de energia e insumos agrícolas. Penso que a reconfiguração regional será de aproximação, até mesmo entre China e Índia, que têm uma relação complexa", conclui.