"Hoje, se nós observarmos a resiliência de que a Rússia tem diante da sua guerra contra a Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN] no campo da Ucrânia, isso só foi possível, dentre outras coisas, porque em 2014, depois que derrubaram o governo na Ucrânia, a Rússia iniciou uma parceria com a China para a construção de um gasoduto que está viabilizando para a Rússia um escoamento de sua produção que, de outra maneira, deixou de ir para a Europa."
"Em termos gerais, o fortalecimento do eixo Rússia-China tem grande potencial para redesenhar o equilíbrio de poder no setor energético. Se levarmos em consideração que a China é um dos maiores importadores de gás do mundo […] e que a Rússia é uma das maiores potências exportadoras e de maiores reservas, a parceria pode criar uma via de suprimento alternativa que reduza a dependência chinesa de rotas marítimas tradicionais e a influência de outros grandes fornecedores, como os EUA e o Oriente Médio."
"No caso da guerra no Irã, a lógica de acumulação de poder e riqueza serve como um catalisador de risco, um acelerador de processos que já estavam em processo. Ainda que os navios chineses tenham realizado a passagem pelo estreito de Ormuz, após negociações com as partes relevantes na região, tal fator é um sinalizador para que a China priorize a segurança do fornecimento terrestre em detrimento das rotas marítimas vulneráveis."
A China é só o começo?
"Essa integração, principalmente entre Rússia e Índia, é algo que é desejado e que vai ser estimulado por conta de toda a instabilidade. E é um problema sério porque quando a gente olha justamente a questão dessas ligações energéticas, o tanto que os EUA prejudicaram o próprio interesse europeu ao estimular não apenas a guerra na Ucrânia, mas também a própria desmobilização de todo o fornecimento de gás russo para a Europa Ocidental."
"O planejamento estratégico russo para esses mercados tem sido o GNL [gás natural liquefeito]. O vice-primeiro-ministro russo, Aleksandr Novak, afirmou que negociações estão em andamento com Filipinas, Índia e Tailândia para desviar o suprimento europeu para navios-tanque de GNL, que podem atracar em terminais de importação existentes."