"A União Europeia ainda é atraente principalmente para quem vive na periferia pobre da Europa, mas é frustrante porque o bloco não tem mais condições de manter o estado de bem-estar social, que vem sendo contestado há muito tempo, e o que era oferecido há 40 anos, já não é mais possível", disse.
"Para entrar na UE, é preciso ter credenciais que atendam a diversas regras tais como respeitar o ambiente democrático, então, no contexto ucraniano, Zelensky suspendeu as eleições e a oposição foi afastada, para dizer o mínimo, então quais credenciais democráticas a Ucrânia teria para apresentar?", questiona.
Contradições dentro do bloco europeu
"Esse processo de ampliação é chamado de alargamento e já houve sete até o momento, a Croácia foi o último. Há uma perspectiva de adesão dos países da região balcânica. Isso deve aumentar a tensão interna na União Europeia, sobretudo nos [Estados] fundadores, com a preocupação de receber esses trabalhadores", pontua.
"O que a UE entende por democracia é algo liberal com partidos diferentes. Mas isso ocorre até certo ponto. Há vários países que não vão admitir que um partido comunista assuma o poder. Atualmente, há uma preocupação com os partidos fascistas, que vêm crescendo muito [na Europa]. Muitos deles são contra o processo de integração", enfatiza.
UE sem liderança definida perde poder político
"Pensando na estrutura política da UE, não há grande líder aceito mundialmente como uma grande voz que possa, de fato, debater com Trump, com Putin ou com Xi Jinping. Eles estão pulverizados e isso acarreta uma perda de poder político no mundo", conclui.