No ano passado, iniciativas para a construção de data centers para aprimorar o uso da inteligência artificial (IA), avaliadas em US$ 156 bilhões (cerca de R$ 805 bilhões), foram suspensas ou adiadas nos EUA devido a temores relacionados à escassez de água, perda de empregos e aumento dos preços da eletricidade.
De acordo com a mídia britânica, um dos principais pontos de discórdia é o consumo excessivo de energia desses data centers.
Nos EUA, a maioria dos estados já está considerando ou promulgou leis para regulamentar essa tecnologia, com foco em segurança e consumo de energia. Diante da insatisfação pública, o governo federal solicitou que as principais empresas de tecnologia assinem compromissos voluntários para proteger os consumidores do aumento nas contas de luz decorrente da demanda impulsionada pela IA.
A tensão não é apenas civil, mas também corporativa. As indústrias tradicionais de energia e química começaram a se opor ao que percebem como tratamento preferencial para empresas de tecnologia no acesso à rede elétrica.
Para mitigar riscos, algumas empresas de energia estão construindo sua própria infraestrutura de distribuição, antecipando o que muitos descrevem como uma "corrida armamentista" pela eletricidade, que poderia tornar a rede atual obsoleta ou levá-la ao colapso se não for gerenciada adequadamente.
Na arena política, a IA tornou-se um tema central nas eleições de meio de mandato. Líderes de todo o espectro político propuseram moratórias para novos data centers ou leis que exigem que as empresas relatem demissões relacionadas à automação.
As pesquisas sugerem que essa tecnologia é notavelmente impopular entre os norte-americanos, dando aos políticos um incentivo eleitoral para endurecer as regulamentações contra o Vale do Silício.
A situação está gerando incerteza nos mercados financeiros. Embora haja grande expectativa em relação as ofertas públicas iniciais (IPOs, na sigla em inglês) — que marcam a entrada de uma empresa na bolsa e são vistas como sinal de maturidade e confiança do mercado — como a da OpenAI, as seguradoras estão demonstrando relutância em apoiar projetos de construção de data centers em larga escala.
Além disso, existe uma contradição interna nos partidos políticos: enquanto alguns grupos defendem os interesses das gigantes da tecnologia — que exercem considerável poder de lobby devido à sua influência econômica —, os eleitores temem o aumento das tarifas de energia e a perda de empregos.