"Certamente a energia nuclear pode ser o futuro na África com investimentos e transferência tecnológica por parte da Rússia, apesar dos desafios. Mas depende muito da capacidade dos países africanos em fazer com que isso seja uma política no longo prazo, porque estamos falando de investimentos altos quando pensamos no setor", disse.
"A usina que está sendo construída no Egito tem importância estratégica porque o país está próximo de áreas onde ocorrem conflitos geopolíticos, que, inclusive, vemos nesse momento em Ormuz, que passa grande parte de petróleo e gás. Logo, a energia nuclear segue como alternativa, inclusive para outros países que dependem de hidrelétrica", comenta.
África busca tecnologia e mais autonomia
"Na África, ainda vemos muitos conflitos que provêm do colonialismo. Mas com a Rússia, vemos essa mudança de relação e os africanos podem aproveitar esse momento para acessar uma tecnologia de ponta e faz com que essa situação possa mudar perante os EUA e outras potências tradicionais que nunca deixaram a região crescer", pontua.
"Essa cooperação é excelente também para a troca de expertises, muitos estudantes africanos se formam em universidades na Rússia e, para o setor nuclear, que é uma área de ponta, isso é essencial porque compreende várias áreas da engenharia e do saber, desde a construção até a parte regulatória", discorre.
Economia pode desenvolver a partir do nuclear
"A energia, como falamos, é a base de tudo porque qualquer setor depende dela, seja infraestrutura ou para construir uma rodovia e até no setor da indústria que demanda bastante. Então, acredito que os países africanos estão indo por um caminho muito bom ao fazer essa cooperação com a Rússia", conclui.